26.9.17

O SENSO COMUM ANTIBRIZOLISTA ESTÁ DE VOLTA NA MÍDIA CONSERVADORA

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -

 'Descomemoração' dos 50 anos da Globo / Reprodução.
A velha e surrada cantilena antibrizolista, que teve seu auge em artigo nos anos 90 do hoje homem forte da Rede Globo, Ali Kamel, em O Globo, volta à tona através de colunistas, desta vez em um jornalão da família Mesquita, ao comentar os recentes acontecimentos na comunidade da Rocinha. Kamel, autor também de uma análise afirmando que no Brasil não há racismo, culpava o ex-governador Leonel Brizola pela então onda de violência que tomava conta do Rio de Janeiro naquele período.

O objetivo principal desse tipo de análise é claramente criminalizar grandes lideranças da história contemporânea brasileira, a começar de Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola e mais recentemente Luís Inácio Lula da Silva. Mas só que na prática o povo trabalhador, independente da mídia comercial conservadora, jamais esquece quem sempre esteve e está ao seu lado.

Agora aparece outro articulista senso comum, que nem vale a pena citar o nome, afirmando sem pudor que “a violência de hoje teve início há mais de três décadas, precisamente a partir de 1983, quando Leonel Brizola foi eleito pela primeira vez governador. E com mais rancor contra um governador que obrigava seus comandados da Polícia Militar a respeitar os direitos humanos, o articulista do Estado de S. Paulo complementou afirmando que “populista como poucos e crítico da forma de atuação da polícia nas áreas mais pobres da cidade, Brizola foi o responsável por afrouxar o combate ao crime organizado justamente quando este começava a recrudescer nas favelas, graças à entrada de drogas e armamento mais sofisticado”.

Uma mentira deslavada que vem sendo repetida exaustivamente pelos que na prática apoiam a violência do Estado, que afeta os mais pobres. O próprio senso comum, que na verdade se origina em tempos remotos, defendido pelos ancestrais dos golpistas de hoje com grande espaço garantido na mídia comercial conservadora.

Vale lembrar que antes de Brizola, na época da ditadura, em pleno governo fisiológico de Chagas Freitas, a PM ingressava nas favelas arrombando portas em total desrespeito aos moradores, a maioria constituída de trabalhadores. Tal prática, agora defendida pelo articulista do jornal da família Mesquita, foi proibida logo que o então governador tomou posse.

A covardia do articulista é notória, pois ele não lembra a violência da PM e genericamente acusa, absolutamente sem fundamento, o Governador Brizola, que juntamente com Darci Ribeiro começava a preparar os CIEPs - Centro Integrado de Educação Pública, um verdadeiro antídoto contra a violência, experiência que acabou sendo boicotada pelo então governador Moreira Franco, o mesmo que prometeu acabar com a violência no Rio de Janeiro em seis meses.

O tal articulista repete tão somente lugares comuns defendidos por O Globo e demais jornalões que nunca aceitaram o fato de Brizola ter sido eleito duas vezes governador do Estado do Rio de Janeiro, mas sempre defendiam figuras como Moreira Franco e mesmo o meliante Sergio Cabral, o tal que quando era presidente da Assembleia Legislativa do Estado dó Rio de Janeiro (ALERJ), e diga-se de passagem, segundo as denúncias tornadas públicas hoje, já enriquecia às custas do Erário Público, tentou de todas as formas que as contas do governo Brizola não fossem aprovadas. E contava com o apoio irrestrito dos jornalões que hoje noticiam as picaretagens que não eram divulgadas antes, embora as acusações circulassem então.

Os mesmos jornalões que colocavam Sergio Cabral e Moreira Franco nas alturas e linchavam Brizola voltam a culpar o político, falecido em 2004, pelo que acontece hoje no Rio, produto, aí sim, de uma política econômica de responsabilidade dos golpistas edição-2016 com o apoio irrestrito de espaços midiáticos como O Estado de S. Paulo, O Globo e tantos outros jornalões.

Toda essa retrospectiva é fundamental, inclusive para entender melhor os nefastos dias atuais que atravessa o Brasil, produto,vale sempre repetir, de um golpe parlamentar, midiático e judicial que levou ao governo nada mais nada menos que Michel Temer, que enfrenta acusações que possivelmente serão rejeitadas pelos integrantes da Câmara dos Deputados com custos para as contas públicas. E até porque os golpistas atuais contam com a falta de memória de segmentos da população, os tais incautos, anestesiados pela mídia comercial conservadora.

* Via blog Jornal da ABI/Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV., transmitido pela Unitevê, Canal Universitário de Niterói, Universidade Federal Fluminense (UFF).