19.9.17

BNDES ATUA PARA VINGAR TEMER AO SE METER NA GOVERNANÇA DA JBS

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Não há nenhuma razão pela qual o BNDES deva se meter na direção da JBS sob o pretexto de proteger a boa governança da empresa. O patriarca que a assumiu, Zé Mineiro, deu suficiente prova de competência empresarial ao longo de sua vida ao transformar um açougue em Anápolis num gigante internacional de proteínas. Só há uma explicação para a atitude de Paulo Rabello de Castro, presidente do banco. Ele quer presentear o presidente Temer com uma “vendetta” contra seu principal delator.

Dizer que a empresa não terá boa governança sob o comando do patriarca é uma ilação absurda. Se o banco tem 20% das ações, a maioria absoluta pertence à família Batista, ou seja, ela é dona do negócio. Não existe no Código Civil e na legislação da Comissão de Valores Mobiliários nenhuma provisão relativa à tomada do controle de uma empresa porque seus donos sejam delatores do presidente da República. O que estamos vendo é um ato absolutamente autoritário do poder público contra um cidadão.

Tudo leva a crer que Paulo Rabello se rendeu a uma conspiração para castigar os irmãos Batista pelo atrevimento de dois de seus filhos que decidiram gravar e delatar o presidente. Não há dúvida de que gravar o presidente é uma traição de confiança. Contudo, o fato concreto está feito. Não há nenhum sentido em atrapalhar a vida da JBS apenas para castigar seus donos por delação. Na verdade, por estupidez pessoal de Joesley e uma estranha reação de Rodrigo Janot, ele já está sofrendo na cadeia, e, a meu ver, injustamente.

Temer, por sua vez, foi o grande beneficiário, pelo menos por enquanto, da patacoada de Joesley. Algumas semanas atrás seus argumentos para se defender das acusações de Janot eram ridículos. Só a compra de uma parte da Câmara o livrou do processo. Agora, seus advogados tentarão melar o jogo da acusação alegando o descrédito das alegações de Joesley. Claro, em algum momento, de forma inexorável, a mala de 500 mil reais do Loures vai revelar seu destinatário, assim como dos 51 milhões de Geddel.

No meio desse emaranhado, Paulo Rabello de Castro deveria ter um pouco mais de cuidado ao atacar os donos da JBS, devedores do banco por ações. É muito arriscado por na empresa um representante do banco. Afinal, os precedentes com a gestão pública de empresas não são nada edificantes. A começar pela Petrobrás e pelo Banco do Brasil. Imagine se o presidente do BNDES põe na direção da JBS alguém que, em prazo curto, venha a enterrar sua rentabilidade e seu patrimônio. Será culpa dos irmãos?