10.10.17

A LUTA DO POVO DA CATALUNYA POR INDEPENDÊNCIA CONTINUA

Por ANDRÉ MOREAU -

"Para que España vaya biem, Barcelona deve ser bombardeada almenos uma vez cada 50 anos" (General Espartero).


A proposta deste artigo, o primeiro da série, "A Luta do Povo da Catalunya Por Independência Continua", é trazer à luz o que há por trás da intolerância dos governos de "España" e "France" que historicamente não admitem a independência da "Catalunya", uma região que foi independente por 1000 anos, de 988 até 1988.


Dada a necessidade de sintetizar o assunto considerado tabu nos veículos de comunicação conservadores, revisitaremos a história e o direito natural que não por acaso, não são estudados na maioria das escolas ocidentais, respectivamente a partir de 1640, durante a guerra entre "España" e "France", denominada "Guerra dos Trinta Anos", respeitando denominações lingüísticas que representam traços culturais, procurando focar a abordagem, principalmente nos conflitos que apesar das manchas de perversidade, não impediram que a "Catalunya" se tornasse o território com maior produto interno bruto entre todos os outros de "España".


Sem consultar as soberanas Cortes da "Catalunya", regidas inicialmente pela Constituição de 1413, reformada em 1585 e em 1702, tendo desde 1285, até 1714, o "croat" como moeda própria, substituída em 1342, pelo "florins" com circulação até 1714, o rei de "España", Felipe IV, determina por decreto que os cidadãos da "Catalunya", fossem obrigados a dar abrigo e fornecer comida a mais de dez mil soldados "castellanos" que combatiam as tropas de "France".

Acirravam-se a partir de então, os abusos de "España" através dos soldados forçosamente acolhidos pelos trabalhadores agrícolas, período no qual foram praticadas violações sistemáticas e com total impunidade, contra o povo da "Catalunya". Com o passar do tempo, aumentavam as destruições de propriedades, roubos, estupros de mulheres de diferentes idades, torturas e assassinatos. Fatos que revoltaram os agricultores da "Catalunya" que resolveram utilizar seus objetos de trabalho, para defender a sua gente em uma batalha que ficou conhecida como a "Guerra dos Ceifadores" e ou, "Guerra dos Segadores".

Com a debandada dos soldados "castellanos", a retaliação do Conde-duque de Olivares, avançou na escalada de ódio objetivando desestabilizar mais ainda a "Catalunya". Olivares mandou prender os Conselheiros de Barcelona e o deputado militar de "la Generalitat", cidadãos eleitos pelo povo que logo em seguida foram libertados por um grupo de ceifadores.

Após consultas coletivas visando manter a independência da "Catalunya", foi proclamada a República pelo Presidente Pau Claris, em 1641, ato que tirou a "Catalunya" da Federação de Estados da Coroa de "Aragon" e conseqüentemente, da monarquia espanhola.

Quem pode se sentir livre quando o direito do outro é sistematicamente violado?

* Via e-mail / André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, Professor, Jornalista, Diretor do IDEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).