18.10.17

ANULAÇÃO DO IMPEACHMENT, JÁ!

Por ANDRÉ MOREAU -


A delação premiada do empresário e doleiro Lúcio Funaro à Procuradoria-Geral da República (PGR), sobre manobras do então presidente da Câmara dos Deputados, o interno Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de compra de parlamentares que votaram pelo impeachment, sem mérito, objetivando evitar a "sangria da classe política brasileira", vem ocupando as editorias dos veículos de comunicação, inclusive estrangeiros, repercussão que poderá interferir na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em anular o afastamento da Presidenta Dilma Rousseff, ao menos em meio aos que pensam em suas respectivas reputações. A delação de Funaro confirma a sustentação do advogado José Eduardo Cardozo, reforça o recurso junto ao STF que propõe a anulação do afastamento da mandatária ocorrido em abril de 2016, com a juntada de provas aos autos sobre a ação criminosa encabeçada por Eduardo Cunha que carrega junto a "opinião pública", as perversidades tramadas diariamente através da narrativa das Organizações Globo, contra o povo brasileiro trabalhador.

Os incautos devem estar surpresos com o fato de Cunha ter pedido um milhão para comprar parlamentares que votassem pelo impeachment, de acordo com a declaração feita por Funaro no fim de agosto à PGR, validada pelo Ministro do STF, Edson Fachin, só ter vindo a público na última sexta-feira (13) e pelas mãos do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia que determinou sua postagem no "site" do órgão, mas ao mesmo tempo devem estar se sentindo traídos com a reviravolta que reforça a tese de envolvimento de membros do judiciário e dos meios de comunicação contra a democracia brasileira, na condução da narrativa golpista que vem atingindo a todos, mas principalmente os crentes mais pobres.

Seguindo essa linha de raciocínio que para os cinqüenta e quatro milhões e meio de eleitores vai se tornando cada vez mais nítida, inclusive para aqueles que achavam que Deus era quem provia todos os direitos firmados pelos governos Lula e Dilma, a Presidenta do STF, Carmem Lúcia, deveria chamar para si o processo propondo a anulação do impeachment que se encontra na carga do Ministro Alexandre de Moraes, nomeado pelo ilegítimo Michel Temer e decidir junto ao pleno pela recondução da Mandatária ao cargo para o qual foi eleita, mesmo que a contra gosto dos oligarcas e carreiristas de plantão em Brasília.

Levando em conta a recente escalada golpista na América Latina que torna o quadro pior ainda, a partir da certeza inquestionável de que o impeachment foi um golpe orquestrado pelo Senador afastado Aécio Neves e colocado em prática por Eduardo Cunha, o caso ganhará a proporção devida junto a tão propalada "opinião pública" quer queiram ou não as editorias das Organizações Globo e os seus aliados, arregimentados pela SIP - Sociedade Interamericana de Imprensa, manchando ainda mais a reputação dos ministros do STF e parlamentares, cúmplices desse processo kafkaniano de desestabilização do País que havia reduzido a pobreza em 82%.

É hora do trabalhador voltar às greves gerais, mas agora contra o nepotismo pequeno burguês dos deputados, senadores, ministros do STF e dos espertos que mirando na carreira dos patrões parlamentares e em benefícios pessoais, pregam que o golpe é "página virada", e exijam a restauração da democracia brasileira, tão atingida pelas imposições neoliberais que derrubaram a Presidenta Dilma Rousseff. Só povo mostrando sua força, exigindo a recondução de Dilma Rousseff à Presidenta da República Federativa do Brasil, cargo para o qual foi eleita legitimamente, será possível restaurar a democracia brasileira, porque como grafou Eduardo Galeano, no seu livro "Veias Abertas da América Latina", "Não podemos esperar a salvação de onde vem o mal".

* Via e-mail / André Moreau, é jornalista e cineasta, Coordenador da Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e diretor do IDEA, Programa de TV., Canal Universitário de Niterói – Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).