29.10.17

TURISMO NAS FAVELAS EM DISCUSSÃO, MORTE DE TURISTA ESPANHOLA DEIXA UMA SÉRIE DE DÚVIDAS

ALCYR CAVALCANTI -

"Rocinha, quem bebe da tua água sempre vai voltar"

(Jorge Mamão, liderança local)


A morte da turista espanhola Esperanza Ruiz em um local próximo ao Largo do Boiadeiro na Favela da Rocinha que foi atingida por um disparo fatal, da arma de um policial militar veio trazer à tona os problemas da violência urbana que assolam todo o país. A Rocinha é uma "Zona Vermelha" que deve ser evitada, na impossibilidade de ser removida? O Favela Tour deveria ser proibido ou ao contrário deve ser estimulado? São perguntas que deixam muitas dúvidas e requerem muita serenidade. Esperanza morreu e uma vida nunca tem preço, deveria não ter acontecido.

Era uma dia de muita tensão não só na Rocinha, mas em várias favelas da cidade. Desde o "racha" entre Antônio Bonfim o Nem e seu "fiel" Rogério Avelino o 157 que temos mais uma "Guerra" na Rocinha pelo controle dos mais de 70 pontos de venda e drogas a varejo na localidade, sem contar as muitas esticas nos bairros próximos além do serviço delivery.

Não seria de bom alvitre um passeio pelo "wild side" na Rocinha, principalmente com tiroteios diários pelo controle das bocas de fumo. Mas aconteceu e deu no que deu. Da mesma forma que existem áreas de oração, áreas de convivência, existem em todos os cantos áreas segregadas que devem ser evitadas sob risco assumido de quem quiser se arriscar. A Rocinha é a favela mais procurada pelos turistas, dos quatro cantos do planeta é a verdade indiscutível. Ela não é apenas Rocinha, ela é também São Conrado, ela é também Gávea, bairros de fácil acesso, muita beleza e muito poder aquisitivo. Não tem limites definidos entre eles. Quem consegue subir (e depois descer) pode assistir a um por do sol de beleza indescritível, dispensa qualquer narrativa. Já servi de cicerone diversas vezes para estrangeiros desejosos de conhecer suas belezas e seus mistérios. Sempre pedi ajuda para ter como companhia um local, de preferência um adolescente e sempre respeitei as regras locais, que devem ser obedecidas. Nunca tive problemas. Mas....os tempos eram outros, o "olho que tudo vê" sabia quem eu era, e principalmente o que estava fazendo e porque motivo estávamos ali.

A Rocinha, pela sua localização estratégica é uma "mina de ouro" cobiçada por muitos. Seu comércio mais intenso é sem dúvida o narcotráfico que rende milhões de reais por semana, apesar de uma teórica e mal sucedida "War on Drugs". Mas agora na época em que todo o mundo manda e ninguém manda é totalmente desaconselhável um passeio pelo "lado selvagem" da "Maior Favela da América do Sul", que de fato se não é a maior é sem dúvida alguma a mais bela de todas. Vamos esperar a poeira baixar, a volta de um único dono, e que esse dono aprecie a Paz, abomine a Guerra para poder passear em paz e harmonia, a qualquer hora do dia ou da noite. A Rocinha em algumas ocasiões já foi assim, em uma aparente calma temporária.