19.11.17

BASTIDORES DA GUERRA DE CLASSES COMANDADA NA ALERJ POR EDITORIAS DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO TRANSBORDA PELAS RUAS

Por ANDRÉ MOREAU -

(...) Eu já estava fora. Eles queriam um pretexto para me expulsar e agora têm. Acho ótimo. Só espero que o Psol não continue a pegar carona assinando projetos de lei junto do Picciani e agora, perante a opinião pública, façam isso. (Deputado Paulo Ramos).


As prisões por vinte e quatro horas do Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), Jorge Picciani, juntamente com os deputados Edson Albertassi e Paulo Melo, funcionaram como um plot (virada, mudança de rumo), do roteiro repleto de conflitos, elaborado pela editoria do Jornal Nacional, em 2013.

Com o golpe em 2016 que rasgou a Constituição da República Federativa do Brasil o Ministério Público Federal, ganhou destaque na mídia e parece seguir a técnica usada pelos roteiristas do citado telejornal, na tentativa de intensificar os objetivos da trama com novos conflitos.

Com essa última virada, poucos ouvintes, leitores ou telespectadores dos meios conservadores de comunicação, se deram conta de que os fins não podem justificar os meios. Base do argumento da trama que vem acirrando o ódio em setores da classe média, contra os pobres.

As rubricas que descreveram as vinte horas de prisão da quadrilha, são semelhantes as usadas na promoção do impeachment, sem mérito. Choques de desinformação, ao estilo Chicago Boys. Falas que defendem promotores, juízes e os Marinho, como se fossem mocinhos, mas sem questionar porque as investigações não foram deflagradas na década de noventa. Já os marginalizados, esses são sempre culpados.

Diante desse quadro de acelerada usurpação de direitos, pensar para que? Dá menos trabalho sair de casa num dia ensolarado com guarda chuva, porque disseram no JN que vai chover. Afinal foram eles os grandes autores da trama de ódio iniciada em 2013 que conduziram parte da sociedade a apoiar o golpe em 2016. Ódio mesclado com medo de ter uma pessoa pobre na vaga da faculdade que poderia ser do filho.

É importante ressaltar que a luta contra o golpe de estado ficou de lado por orientação da maioria desses parlamentares que dividem o povo, pregando que o golpe é página virada. Enquanto em 2016, mais de sessenta e um mil foram assassinados. Sete por dia. Herança maldita do esquadrão da morte, da ditadura de 64, arquitetado nas áreas de propaganda e cinema, por Irineu Marinho e Jean Manzon.

E assim como na ditadura passada, seguindo a orientação do bufão, a esquerda se divide. Os espertos pegam carona na narrativa das Organizações Globo e apoiam os justiceiros da lava jato, pouco se importando com as riquezas energéticas usurpadas ou se o povo será colocado no patíbulo de joelhos.

O negócio é manter a visibilidade do mandato, mesmo como súdito das Organizações Globo, da mesma forma que o SYRIZA fez na Grécia e o PODEMOS na Espanha, dividindo a luta por independência na Catalunya.

Se invertermos a máxima: os fins não justificam os meios e para satisfazer nossas ambições pessoais passarmos a afirmar que os fins justificam os meios, corremos o sério risco de amanhã ver em praça pública linchamentos como o garroto que foi espancado em frente do Prédio do Flamengo e acorrentado em um poste.

Ele roubou? Sim.

Temos Justiça ou não?

* Via Blog Jornal da ABI/André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, jornalista e cineasta, Coordenador da Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e diretor do IDEA, Programa de TV., Canal Universitário de Niterói – Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).