27.11.17

DIRETORIA DA ABI USA ENTIDADE EM TROCA DE BENEFÍCIOS PESSOAIS

Por MÁRIO A. JAKOBSKIND e ANDRÉ MOREAU -


O site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) deu grande destaque ao lançamento do livro do jornalista Luis Carlos Azedo, algo que nunca aconteceu antes com lançamentos de outros jornalistas, associados ou não da entidade secular.

Sob o título "Luiz Carlos Azêdo: Crônicas de uma queda anunciada", Azêdo de Brasília, que parece não tem nada a ver com o combativo Maurício Azêdo, concede uma longa entrevista para afirmar, entre outras coisas, que a derrubada da Presidenta eleita não foi um golpe, mas segundo o jornalista militante do PPS, uma ação democrática que seguiu todos os parâmetros constitucionais.

Para se ter uma ideia melhor,vale a reprodução de um trecho da matéria sobre o livro: "A leitura das crônicas de Azêdo não deixa dúvida de que o impeachment de Dilma está longe da chamada narrativa do golpe construída pelos apoiadores do governo deposto. Mostra que o impeachment foi um processo político, como não poderia deixar de ser – e todos sabiam disso –, sustentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que sancionou o rito jurídico a ser seguido, de acordo com a Constituição e a legislação correspondente a esse tipo de processo".

Não por acaso essa é a posição da diretoria da ABI, presidida pelo senhor Domingos Meirelles, que não só utiliza o site da entidade para fins pessoais, como até escreve carta com a chancela da casa que um dia foi dos jornalistas, dirigida ao lesa-pátria Michel Temer, sugerindo a indicação de um Ministro.

É notório que o espaço concedido a Luis Carlos Azêdo se deve ao posicionamento de apoio ao impeachment, sem mérito, de 2016 que se traduz no golpe que retirou do governo a presidenta eleita Dilma Rousseff, para "estancar a sangria", mas que o jornalista que escreve no Correio Brasiliense e também Domingos Meirelles consideram democrático.

É importante ressaltar que não se trata de censurar opiniões, pois cada um expõe sua posição como melhor entender, aceitando ou não o golpe ocorrido em 2016. Meirelles e Luis Carlos Azêdo acham que não ocorreu um golpe de estado, instrumentalizado por setores do parlamento, mídia e do judiciário. É um direito que os assiste pensar assim, mas inadmissível é o fato do site da ABI dedicar tamanho espaço, o que não faz com outros jornalistas em lançamentos de livros. Seria justo oferecer o mesmo espaço a quem discorda desse ponto de vista defendido por Meirelles.

Se alguém ainda tinha dúvidas de que a atual diretoria da ABI apoiou o golpe de 2016, como fez Celso Kelly na ditadura empresarial militar, basta ver o enorme espaço concedido ao livro de Azêdo.

Por estas e muitas outras, que eventualmente tenham passadas desapercebidas, inclusive na calada da noite, é mais do que necessário redobrar as atenções visando impedir que a ABI continue sendo usada para fins pessoais e pior admitindo como democrático o governo lesa-pátria do golpista Michel Temer.

Nesse sentido, agora mais do que nunca, é necessário que os associados da ABI se unam objetivando repelir quem ocupa a ABI para dar apoio ao desmonte em curso que vem levando o Brasil a andar para até mais de cem anos atrás.

O uso indevido do site da ABI, poderia ser motivo para convocação imediata de uma assembléia, para analisar o que vem ocorrendo na ABI, desde a manobra que levou o Sr Domingos Meirelles, sem votos a presidência, passando pelo veto a participação da Chapa Villa-Lobos, no pleito de 2016-2019. É mais do que urgente o esforço dos associados para que a entidade secular volte a ter protagonismo histórico, como acontecia nas gestões de Barbosa Lima Sobrinho e Maurício Azêdo.

Se nada for feito, o atual presidente continuará adotando o mesmo tipo de prática que depõe contra a entidade secular que já teve grande protagonismo em vários momentos históricos no Brasil. Silenciar diante do que vem acontecendo, se confunde com cumplicidade.

* Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-Presidente na Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV., transmitido pela Unitevê, Canal Universitário de Niterói, Universidade Federal Fluminense (UFF). ** André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos D Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Coordenador da Chapa Villa-Lobos e Diretor do IDEA.