18.12.17

A MÁQUINA DE MOER MENTES E DO SABER ONDE TODOS ESTÃO AMEAÇA O EXERCÍCIO DO PENSAR

Por ANDRÉ MOREAU -


A quebra de contratos com os usuários da "Internet" decidida por Ajit Pai que preside a Comissão Federal de Comunicação, órgão que funciona como agência reguladora das telecomunicações nos EUA, foi pensada no Governo Barack Obama. Além de provocar uma onda de questionamentos, a medida carrega traços do "marqueteiro" da Alemanha nazista, Paul Joseph Goebbels.

A facilidade de poder pesquisar enquanto se digita, principalmente textos longos através dos PCs, no lugar de usar máquinas de datilografia ou de fazer pesquisa em jornais, revistas e livros impressos, agilizou o trabalho da maioria dos profissionais das áreas da Comunicação e do Direito.

Alguns, no entanto, considerados até pouco tempo atrás pessimistas ou mais realistas diante das facilidades vindas do norte, optaram em manter suas possantes máquinas de datilografia "azeitadas" e seus arquivos em bom estado, inclusive os chamados "grandes autores", escritores de textos teatrais, novelas e roteiros de cinema.

O Historiador e General do Exército Brasileiro, Nelson Werneck Sodré, foi um desses realistas, mas no caso dele, pelo conhecimento que tinha do embrião da tecnologia informática em seus primeiros estágios de geração. Por isso, se recusou a usar a "Internet" e os PCs, mesmo quando foi contratada a atualização da "História da Imprensa no Brasil", junto a Maud (1998), obra que diante das sanhas neoliberais, precisava ser atualizada e estava engavetada há 17 anos na Bertrand, editora incorporada ao Grupo Record em 1996.

Antes de tratarmos das origens da ameaça imposta pelos EUA que se abaterá sobre os autores marginalizados pelo mercado, cumpre ressaltar que os primeiros experimentos da combinação binária foram feitos pela IBM que mapeou onde se encontravam os ciganos, judeus, pessoas com deficiência, homossexuais, gêmeos e comunistas que posteriormente foram presos e deportados para os campos de concentração nazistas da Alemanha.

Naquela época eram usados cartões perfurados por máquinas mecânicas que além da localização e dos costumes, ordenava as pessoas pelo tipo de nariz, cor dos cabelos, pele, sexo, idade, dentre outras informações sobre condições físicas e mentais que fossem contra a política ariana de mercado.

As pesquisas colocadas em prática antes da II Guerra Mundial, deram projeção à Marinha junto ao Estado norte-americano que passou a destacar acadêmicos interessados em trabalhar, mantendo os direitos autorais da IBM sobre a maioria dos programas de tecnologia informática.

Sodré esteve no Congresso Nacional em 1988, quando representantes da IBM negociavam nos bastidores da Constituinte, a implantação da tecnologia informática em todas as Universidades Federais, mas desde que as patentes de programas criados por acadêmicos e estudantes brasileiros, fossem registradas junto a IBM, ou por empresas indicadas por ela.

O objetivo principal dos senhores da guerra cibernética que estão por trás da neutralidade da rede (Internet), controladores dos principais programas de segurança pública da América Latina, sempre foi o de controlar os usuários, inclusive para fazer lavagem cerebral, visando posteriormente intensificar guerras contra adversários políticos como, por exemplo, em Honduras, o Presidente Manuel Zelaya; no Paraguai, o Presidente Fernando Lugo; ameaçar de morte o Presidente Nicolás Maduro, na Venezuela e; no Brasil, golpear a Presidenta Dilma Rousseff e repetir mentiras contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva; isso para não falar nos casos do ex-Ministro José Dirceu e do ex-Deputado José Genuíno.

Diante do esquema montado será difícil trazer de volta o cidadão para o ato de pensar sem medo, isto porque junto a tecnologia das usurpações, o controle da comida e a repressão aos mais pobres, são requisitos fundamentais ao controle das culturas. 

A imposição do que deve ser feito, controla a classe média, sempre perdida, diante dos interesses do mercado, assim como no lançamento da moda francesa "Prêt-à-Porter", ou seja, pronto para usar sem nenhum "sacrifício" ou "sofrimento".

Nelson Werneck Sodré nos disse uma semana antes de partir que temia pelos que lutam contra os sabujos do império, porque a máquina de guerra que estava sendo montada visando controlar a humanidade, em muito se assemelhava ao julgamento de Sócrates: condenado por levar a juventude a pensar. A sua arte de parir o pensamento como um parto, levava os cidadão a pensar a sua realidade diante do Estado com o mesmo cuidado da parteira que apara a criança ao nascer.

Ainda bem que diante do massacre aos que pensam, aqueles que não abdicaram ao direito de pensar, segundo Hannah Arendt, seguem Albert Camus: "prefiro ser consciente a ser feliz".

* Via e-mail/André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.