20.12.17

LESA PÁTRIA TENTA ENGANAR A OPINIÃO PÚBLICA COM EXEMPLOS VINDOS DOS ESTADOS UNIDOS

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


O lesa pátria Michel Temer está agora comparando a sua ascensão golpista com Presidentes dos Estados Unidos. Usando uma linguagem de farsante, o que não chega a surpreender se for feita uma análise aprofundada sobre o desempenho de seu governo e suas falações, o golpista que coloca em prática a sua "ponte para o futuro" disse em um encontro do seu partido que, "(...) se nos Estados Unidos se dissesse que quando o vice assume a Presidência face a um eventual impedimento do presidente, isto é um golpe, qualquer americano ficaria corado. Mas aqui não, havia uma certa desfaçatez".

Só que o lesa pátria está mais uma vez querendo se legitimar pela mentira como Presidente golpista que é, e não completa o raciocínio para dizer que nos Estados Unidos o vice que eventualmente assume a Presidência executa um programa igual ao do Presidente eleito.

Os dois casos mais recentes, o primeiro depois do assassinato de John Kennedy assumiu Lyndon Johnson, que seguiu o programa do político assassinado, o do Partido Democrata. Posteriormente, Gerald Ford ocupou o lugar do renunciante Richard Nixon, que se envolveu em baixarias como no caso Watergate. O vice Ford, ao assumir a presidência seguiu o que foi apresentado na campanha.

Se um integrante do Partido do Presidente Democrata decidisse trair e executar o programa dos Republicanos, por exemplo, o que aconteceria?

E se eventualmente Donald Trump não completar o mandato, o vice decidisse seguir o programa do Partido Democrata deixando de lado as propostas dos Republicanos, podem imaginar o que aconteceria?

E o que fez o lesa pátria Temer colocando em prática a sua "ponte para o futuro" se não trair os eleitores que escolheram nas urnas uma proposta de governo diferente da executada atualmente, que na verdade é um retorno ao passado de Fernando Henrique Cardoso, repudiado nas urnas quatro vezes seguidas.

Mas o lesa pátria Michel Temer, mais uma vez tentando enganar a opinião púbica brasileira, demonstra que sua reverência aos Estados Unidos, cujo Departamento de Estado ajudou no golpe, está equivocada. Ao ocupar o governo colocou em prática um programa de governo rejeitado pelos eleitores brasileiros quatro vezes seguidas nas urnas. Se Johnson ou Ford fizessem o mesmo que o mentiroso lesa pátria Temer não teriam condições de seguir como Presidentes.

Essa é a verdade que Temer tenta esconder, porque tem consciência que só ocupa o posto que ocupa para executar a famigerada "ponte para o futuro", uma proposta que por sinal não passa de um programa responsável pelo Brasil recuar pelo menos cem anos e de inteira satisfação dos golpistas, internos e externos, responsáveis pela sua ocupação do governo.

Não contente com tantas mentiras o lesa pátria teve reforço em suas palavras do ministro Moreira Franco e outros peemedebistas do gênero, que pensam que enganam ao proporem a retirada da letra (P) para que volte a ter a denominação de MDB. Esqueceram de mais uma vez dizer que na época da ditadura empresarial militar os golpistas de 1964 não permitiam outras siglas além da mencionada e mais a Arena.

Na primeira oportunidade, parte dos políticos da sigla MDB saíram para formar outros partidos, como PT e PDT, entre outros. No PMDB permaneceram políticos do gênero Romero Jucá e do próprio lesa pátria Michel Temer e receberam a adesão de Moreira Franco, egresso do então partido dos seguidores da ditadura, o PDS, hoje reunidos no DEM, maior parte de integrantes oriundos da Arena.

Nesta atual corrida para enganar incautos, o hoje DEM também já pensa em mudar de nome em uma tentativa de enganar eleitores com falta de memória. Atualmente, tanto o DEM, como o PMDB e demais partidos da chamada base aliada estão fazendo o possível e o impossível para aprovar em fevereiro próximo a tal contra reforma da Previdência. Nesse sentido, diariamente, tanto o lesa pátria Temer, como o aposentado do Banco de Boston e atual Ministro da Fazenda Henrique Meirelles falam e falam para tentar convencer políticos que pensam em voltar ao Congresso nas próximas eleições legislativas a votarem a favor do que vai favorecer na prática a Previdência privada. Os tais políticos preferem pensar duas vezes antes de tomar uma decisão que poderá atrapalhar os seus planos eleitorais. Mas a investida nas semanas que faltam para a votação será muito grande, inclusive de formas nada republicanas e que custam aos cofres públicos.

Nessa corrida para enganar os incautos está também o PSDB de Geraldo Alckmin que se diz fora do governo Temer, mas segue no apoio às reformas que estão levando o Brasil a andar para trás. O agrupamento quer aparecer como afastado do governo de um presidente rejeitado pela maioria absoluta do povo. E volta e meia aciona o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujo governo executou um programa do tipo "ponte para o futuro", que procurou de todas as formas entregar de mão beijada as riquezas nacionais e hoje se apresenta como "moderno".

FHC, Temer, Rodrigo Maia, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e ainda mais à direita Jair Bolsonaro são todos eles farinha do mesmo saco político do retrocesso que se volta basicamente contra trabalhadores, haja vista a reforma trabalhista e outras que fazem o Brasil andar para trás, aprovadas com o apoio da base aliada da qual não se exclui o PSDB.

Como os referidos partidos não se entendem até agora sobre quem será o candidato à Presidência preferencial em outubro de 2018, já estão se mobilizando para o aprofundamento do golpe que levou o lesa pátria ao governo e não escondem a possibilidade da adoção de um regime parlamentarista ou semi-presidencialista, com o objetivo de tirar o poder do eleito pelo povo.

Os golpistas não podem ouvir falar na possibilidade de tudo o que fizeram até agora ser submetido à apreciação popular com a eleição de um candidato que se opõe ao retrocesso e garanta que isso acontecerá.

* Via e-mail/Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente na Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói.