19.12.17

REVIVENDO UM TEMPO EM QUE SÓ JOGAVAM OS DONOS DA BOLA

Por ANDRÉ MOREAU -


O "domínio do fato" da Lei Roxin de Claus Roxin, parece ter subido à cabeça dos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) de Curitiba que desistiram de periciar trinta e um recibos de alugueres do apartamento em São Bernardo do Campo (18), que segundo a denúncia, seria propina da Odebrecht, visando imobilizar a defesa do ex-presidente Lula, o que ganhou no noticiário, tom de choque.

"O Ministério Público Federal deixa de insistir na realização da prova técnica", conclui a petição.

Neste episódio da narrativa capitaneada por editores das Organizações Globo, os protagonistas da turma do MPF desafiam a lógica do devido processo legal, em nome da convicção, já que em outubro, o Ministério Público Federal havia proposto ao Juiz Sérgio Moro "(...) a realização de perícia para aclarar aspectos pontuais com relação à confecção dos recibos".

Os "informantes não oficiais" não tiveram dúvidas em invadir os lares de milhões de telespectadores abrindo o noticiário do JN (18), ao estilo choque, informando em tom conativo a decisão dos procuradores que deixaram de lado as provas técnicas.

A edição carregou em "off" a máxima criada na ditadura empresarial/militar, passada: "manda quem pode, obedece quem tem juízo" e no conjunto, objetivou diminuir o impacto da revelação do proprietário Glaucos da Costamarques que reconheceu publicamente a legitimidade dos recibos.

A pergunta que daria outro tom à narrativa, o honesto, é a seguinte: por que só agora os agentes do MPF desistiram de submeter os recibos de alugueres à perícia, se antes o principal questionamento dos procuradores do MPF na ação, era a autenticidade desses documentos?

"(...) ele (Costamarques) assinou os recibos de pagamento que foram emitidos entre 2011 e 2015, para dona Mariza que havia feito a locação, ou seja, o proprietário do imóvel reconheceu que os recibos são autênticos, tal como nós da defesa do ex-presidente Lula, sempre dissemos (...)" (Advogado Cristiano Zanin)

Paralelamente a narrativa com base na máxima de "combate à corrupção", se agrava o retrocesso social.

Se houvesse normalidade entre os três poderes a revelação de Costamarques teria sido suficiente para esclarecer ao juízo competente que a denúncia do MPF não poderia prosperar.

Assim como a informação de Costamarques deveria ser objeto de mudança de rumo da narrativa jornalística, no entanto, o que vemos é a manipulação da informação em meio a mensagens de "austeridade nas contas públicas", para agradar setores da classe média que apoiaram o golpe e estrangeiros que estão por trás das ações, enquanto a Constituição foi e continua sendo rasgada.

Longe dos holofotes, os pobres são empurrados para morar nas ruas, abrindo feridas nas comunidades das periferias violentamente atingidas por exercícios de guerra, fatos que serão traduzidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), como a volta do País para o mapa da fome.

O que podemos esperar de justiça social de uma nação, quando setores do judiciário se voltam contra os seus nacionais e abrem as portas para os colonizadores?

Em que porto vai ancorar a soberania da República Federativa do Brasil?

* Via e-mail/André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.