24.1.18

1- ARTIGO DO NEW YORK TIMES DIZ QUE CASO DE LULA NÃO SERIA LEVADO A SÉRIO NOS EUA; 2- LULA EM PORTO ALEGRE: “SÓ UMA COISA VAI ME TIRAR DAS RUAS DESSE PAÍS E SERÁ O DIA EM QUE EU MORRER”

REDAÇÃO -

Multidão em Porto Alegre para ouvir o ex-presidente Lula, na véspera do julgamento de seu recurso contra a sentença do juiz Sergio Moro no TRF4.
As provas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex em Guarujá (SP) estão muito abaixo do que um tribunal dos Estados Unidos exigiria para levar um caso a sério. É o que afirma Mark Weisbrot, colaborador da seção de opinião do jornal americano The New York Times. O artigo com fortes críticas ao processo penal que o ex-presidente enfrenta foi publicado nesta terça-feira (23/1).

Weisbrot afirma que não existe ilusão de que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região seja imparcial. Isso porque o desembargador Carlos Henrique Thompson, presidente da corte, já elogiou a sentença dada pelo juiz Sergio Moro. Além disso, lembra que o chefe de gabinete de Thompson publicou no Facebook uma petição pedindo a prisão de Lula.

Ainda segundo o texto, as evidências no caso do triplex estão muito abaixo do nível exigido por um tribunal dos Estados Unidos para que o caso seja levado a sério, quanto mais para que haja condenação.

“O suborno alegadamente recebido pelo Sr. da Silva é um apartamento de propriedade da OAS. Mas não há provas documentais de que o Sr. da Silva ou sua esposa já tenham recebido títulos, alugados ou mesmo ficaram no apartamento, nem que tentaram aceitar esse presente. A evidência contra o Sr. da Silva baseia-se no testemunho de um executivo da OAS condenado, José Aldemário Pinheiro Filho, que teve a pena de prisão reduzida em troca da colaboração”, afirma o articulista.

O autor diz ainda que a decisão de Moro de condenar supostamente contra o que foi demonstrado pelas provas seria chamada nos Estados Unidos de kangaroo court. A expressão é utilizada para designar um processo judicial injusto, tendencioso ou precipitado que termina em uma dura punição. (via ConJur)

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Lula em Porto Alegre: “Só uma coisa vai me tirar das ruas desse país e será o dia em que eu morrer”

Com informações do 247:

Na noite desta terça-feira 23, véspera de seu julgamento, o ex-presidente Lula disse carregar “a tranquilidade dos inocentes, daqueles que não cometeram nenhum crime” em discurso na Esquina Democrática, em Porto Alegre.

“As pessoas têm que entender que não estou preocupado comigo. Estou preocupado com o povo brasileiro. Eles estão desmontando o Prouni, com o Fies, com as escolas técnicas”, disse.

“Eles inventaram uma doença chamada PT que provocava a ascensão dos mais pobres. As pessoas não queriam mais andar de ônibus, queriam andar de avião”.

Lula comentou também o artigo publicado no New York Times que denuncia a parcialidade do juiz Sergio Moro e o risco à democracia brasileira caso Lula seja condenado.

“Se tem uma coisa que não me conformo é o complexo de vira-lata, inclusive da imprensa brasileira. Uma imprensa que não tem compromisso com a verdade, que não tem respeito, que se protege escondendo as coisas”, criticou.

“Leiam o New York Times de hoje que vocês vão ver coisas que a imprensa brasileira não tem coragem de publicar. Eu duvido que os jornalistas que escrevem mentira a meu respeito e que o William Bonner durmam todo dia com a consciência tranquila. Eles sabem que eles estão mentindo”.

“Só uma coisa vai me tirar das ruas desse país e será o dia que eu morrer. Até lá estarei lutando por uma sociedade mais justa”, ressaltou.

“Qualquer que seja o resultado do julgamento, eu seguirei na luta pela dignidade do povo nesse país”, completou.

Lula declarou “precisar que o povo participe para que a gente possa recuperar esse país”. E acredita que “a esquerda vai se reunir não em torno de um candidato, mas em torno de um projeto”.