21.1.18

DESMONTE DA CULTURA AVANÇA BRASIL A DENTRO IMPONDO RETROCESSO SOCIAL

Por ANDRÉ MOREAU -

Para dominar um povo, destrua a sua cultura, ressaltou no relatório dos anos 70, o alemão naturalizado estadunidense, Henry Kissinger.


Quando um povo abre mão da sua língua e não domina a língua do seu colonizador, ele se torna um povo refém, escravo, restando-lhe os caraminguás que podem ser auferidos dos senhores da casa grande.

Enquanto a nossa cultura nativa não for resgatada, não conseguiremos dar um passo adiante, visando restaurar a soberania do nosso país. Porque só com a cultura de berço preservada, é possível ter o povo coeso nas boas lutas por direitos humanos e conseqüentemente bem estar social.

A economia de qualquer país soberano tem por base o atendimento das necessidades de seus cidadãos visando assegurar suas respectivas autonomias. O que determina essa base é a sua cultura. O que faz um povo preservar a sua cultura, é a sua língua, portanto, um povo que forçadamente ou de moto próprio engole a sua língua (glotocidio), abre mão da sua cultura nativa.

As notas das redações do ENEN indicam progressivamente, de acordo com a onda de desmonte que vem sendo implanta no Brasil desde o golpe de 2016, o mencionado empobrecimento cultural: 4,8% - duzentos e noventa e um mil, oitocentos e seis estudantes, tiraram zero em 2016 e; 6,5% - trezentos e novel mil, cento e cinqüenta sete, tiraram zero em 2017.

Os números indicam o tamanho da alienação decorrente das propagandas que consideram o estrangeiro melhor do que o brasileiro e que repetidamente incentivam o aprendizado de idiomas estrangeiros como o inglês, anunciando colocações temporárias melhores junto a transnacionais, ou no exterior.

O cidadão que se entrega a esse processo de dominação, perde sua identidade, por isso não se conduz a partir de valores que os liga a nossa cultura. É tratado como cidadão de segunda classe que busca com passagem só de ida, a identidade perdida em outros países, em detrimento da nossa cultura. Trata-se de alguém que se deixou conduzir por interesses alienígenas, que vem se deixando levar como gado destinado à engorda, rumo ao matadouro da cidadania.

Cumpre ressaltar que quando um cidadão perde a sua identidade, abre mão do uso da razão porque não sabe mais pensar. Passa a ser simplesmente um desejante da vontade do outro, ou seja, daquele que o conduz para o abate.

O quadro de retrocesso social em epigrafe é, em boa parte, oriundo das ações da tropa de choque composta por “especialistas” das Organizações Globo, que operam o desmonte da Constituição, sob a chancela de setores do judiciário e a orientação de empresas ligadas ao Fundo Monetário Internacional (FMI), em nome do sistema econômico que favorece os bancos, em detrimento dos mais pobres.

Hoje as metas dessa narrativa de convencimento, com base em noticias discricionárias ou falsas, se dividem em cinco blocos: a) de manipulação de setores da classe média que apoiaram o golpe de 2016 pelo ódio que leva o cidadão a não querer justiça e sim justiçamento como, por exemplo, no caso do meliante Sérgio Cabral, exibido algemado, com correntes nas pernas ao ser conduzido para fazer exame de corpo de delito (19), em Curitiba; b) de manipulação dos telespectadores, através da campanha antecipada das Organizações Globo com a produção de mini-curtas de 15 segundos por parte dos próprios voluntários sobre o que desejam para o Brasil – é claro que os filmes escolhidos para serem exibidos, devem estar de acordo com o que pensam os Marinho; c) de promoção do desmonte de empresas públicas, apoiar a distorção de leis e depredar a Previdência Social - para atender grandes empresários que vão deixar de recolher benefícios destinados a trabalhadores e aos bancos que irão faturar mais com os planos de previdência privada; d) de produções que dificultem a possibilidade do ex-presidente Lula concorrer nas próximas eleições e, caso o plano fracasse; d) de incentivo a mudança do sistema político, para semipresidencialista ou parlamentarista, campanha que se liga a meta (b).

O objetivo da narrativa hoje, consiste em produzir espetáculos que desviem a atenção dos incautos para a ocupação de Porto Alegre no dia 24. O que explica a condução medieval do meliante Cabral. E censurar abordagens sobre a prova cabal que reforça a inocência do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - a escritura do triplex em nome da OAS Empreendimentos, cuja a penhora foi determinada na sentença da juíza federal Luciana Correa Torres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução e Títulos do Distrito Federal.

Em outro núcleo da narrativa, o da “austeridade”, mentiras repetidas são usadas da mesma forma, para promover “heróis sem caráter”: no Rio de Janeiro Pezão deu outro chute na soberania ao deflagrar o famigerado “processo de desestatização”, forjado para encobrir a onda de demissões que se anunciam a partir das privatizações, já autorizadas pelo Poder Executivo, das seguintes empresas públicas: Companhia Estadual de Habitação (CEAB); Central de Abastecimento do Estado (CEASA); Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais do Estado (CODERTE) e; Imprensa Oficial.

* Via e-mail/André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.