25.1.18

GOLPE SE CONSOLIDA E VOZ DOS TRABALHADORES É IGNORADA. ESCÁRNIO JURÍDICO NÃO TEM FIM

ROGER MCNAUGHT -

Porto Alegre, 24 de janeiro de 2018.


Dezenas de milhares de manifestantes acampam próximo ao estádio Beira Rio, no centro de Porto Alegre, em vigília e demonstrações de afeto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após um dia inteiro de espera, ansiedade e constantes provocações feitas por integrantes da manifestação que pedia a prisão imediata do ex-presidente, o TRF-4 decide por unanimidade pela condenação com ampliação da pena de Lula.


Toda a militância presente na vigília – sindicalistas, trabalhadores, movimentos sociais, movimento dos sem-terra e diversos outros – manteve a ordem e fez o “impossível” para seguir à risca as regras estabelecidas pela Brigada Militar e evitar situações violentas ou provocações – apesar de sofrer à todo momento com provocadores que não dispensavam demonstrações de amizade e colaboração com a BM gaúcha antes de iniciar provocações e ofensas.

Apesar de diversos juristas renomados considerarem as evidências do processo frágeis e inconclusivas, a manutenção da decisão com ampliação da pena enfatizou a parcialidade política do judiciário e seu compromisso para com a velha direita brasileira.  Não é à toa que no mesmo dia, na cidade do Rio de Janeiro, a vara de fazenda pública decide por liminar o aumento imediato nas tarifas de ônibus enquanto nada foi esclarecido sobre a máfia do transporte público na cidade.


Estas decisões mostram o caráter de insensibilidade para com os anseios populares que o judiciário vem assumindo nos últimos anos, assim como seu compromisso para com a vontade de grupos oligárquicos que desejam não apenas a prisão do ex-presidente Lula, mas o fim de toda a esquerda e de políticas públicas voltadas à população.

Deixando de lado o caráter político por um momento, fica óbvio que a administração petista cometeu diversos erros.  O que é questionado é a falta de isonomia da justiça pois não há vontade política de aprofundar investigações que possam de fato comprometer nomes pertencentes a outros grupos políticos.  Eis uma das possíveis razões pela qual o processo se baseou em evidências frágeis, evitar o aprofundamento que resultaria no comprometimento de nomes ligados à direita oligárquica.


Cabe agora à militância dos movimentos sociais e grupos políticos perceber que seguir as regras oligárquicas não garante imparcialidade muito menos simpatia, apenas silencia a luta e permite que absurdos sejam feitos sem questionamento ou enfrentamento. A luta de classes não é higiênica, bonita, muito menos ordeira.