9.1.18

GOVERNO TEMER REPETE ESQUEMA PUBLICITÁRIO DO ÚLTIMO GENERAL DE PLANTÃO

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Na primeira semana de 2018 o governo Michel Temer segue tentando de todas as formas aprovar a reforma da Previdência, que de fato é uma contra reforma perniciosa aos trabalhadores. Mas na corrida desenfreada pelo apoio no Congresso, já se informa que Temer repetirá o que o então último ditador da série 64, o general João Batista Figueiredo fez. Ou seja, em seu ímpeto de alcançar o que é exigido pelo Banco Mundial, quer dizer, a tal contra reforma previdenciária, Temer será convocado para aparecer nos programas popularescos da TV de Sílvio Santos. O objetivo é claro, ou seja, enganar os incautos.

Incrível, o ocupante indevido do Palácio do Planalto vai mentir, aliás, como é do seu feitio, colocando sua posição em favor de entregar a Previdência a grupos privados. Sílvio Santos, que conseguiu a concessão de um canal de televisão provavelmente será contemplado com verbas publicitárias bem mais elevadas do que atualmente. É assim que agem os empresários contemplados por verbas publicitárias do Estado brasileiro, na prática neutralizadoras de qualquer tipo de crítica dos canais ao projeto que vem sendo executado pelo esquema de Michel Temer.

Como se não bastasse a ida ao canal de Sílvio Santos, divulga-se a informação segundo a qual Temer simplesmente decidiu ignorar a sugestão do Ministério Público Federal para exonerar cinco dirigentes da Caixa Econômica Federal acusados de corrupção. Temer não quer correr riscos de perder o apoio em favor da contra reforma da Previdência de partidos que indicaram os acusados de corrupção. Ele prefere ficar com os acusados a contrariar o PP, PR e PRB.

Em suma, neste governo vale tudo, inclusive manter acusados de falcatruas, desde que na votação no Congresso os parlamentares fechem questão em favor de medidas que atingem em cheio os trabalhadores brasileiros.

No caso dos cinco dirigentes da CEF, os inquéritos em curso indicam que os acusados teriam auxiliado dirigentes do grupo do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ) e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA) a viabilizar operações do banco nas quais teria havido suborno.

E assim que age o atual governo, desde a sua ascensão, em maio de 2016. Não é à toa que não só tem o apoio de 3 a 6 por cento da população. O que se pode dizer de um governo integrado por figuras como Eliseu Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes Ferreira, Gilberto Kassab, acusados de ilegalidades, para não falar dos que se encontram presos como Rocha Loures, Geddel Vieira Lima e outros políticos do gênero?

Tudo isso acontece quando faltam nove meses para a realização das eleições presidenciais em que o atual governo está tendo problemas na indicação do candidato para continuar a fazer o Brasil andar para trás. Isto é, os grupos que usam dos mais variados expedientes para enganar os incautos não sabem se apoiam as candidaturas de Henrique Meirelles, Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia ou quem quer que seja. Até o global Luciano Huck não está descartado, uma figura que recebeu elogio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ainda tenta se apresentar como mentor do projeto de recuo como o da tal “ponte para o futuro”.

Na verdade, tanto FHC como o próprio Temer temem o julgamento dos eleitores e ainda tentarão fazer de tudo para evitar que a última palavra seja dada no pleito marcado para a escolha do Presidente da República em regime presidencialista. Certamente procurarão fazer de tudo nos meses que lhes resta para enganar a opinião pública. FHC continuará sendo acionado para o esquema da enganação, como a do tipo afirmando que a Previdência é deficitária. É necessário que o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado seja divulgado em todos os espaços. Quem eventualmente discorde que se apresente. O que não se pode aceitar é que continue vigorando o esquema atual que silencia sobre a não existência de déficit na Previdência. Isso faz parte do pensamento único, que deve ser sempre repelido e combatido.

* Via e-mail/Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente na Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói.