28.1.18

OS DADOS FORAM LANÇADOS E O POVO COMEÇA A DESPERTAR: DE ONDE PARTIU O GOLPE?

ANDRÉ MOREAU -


Os trabalhadores que participaram das manifestações contra o golpe de estado operado por parlamentares, agentes do judiciário e “informantes não oficiais¹” comandados pelos barões da mídia, chamaram a atenção dos membros do núcleo duro do golpe de estado de 2016.

As manifestações em nome do “bom funcionamento das instituições públicas”, pouco a pouco vêem aparecendo nos meios de comunicação conservadores, revelando o perfil dos conspiradores que operam contra a democracia brasileira, com objetivo de repetir o que foi feito no Chile, na ditadura de Augusto Pinochet.

A diferença é que o golpe de 2016 foi deflagrado através da violência dos poderes legislativo, judiciário e da mídia que transformaram o processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, sem mérito, em uma peça “legal” admitida pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal e chancelada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), violando os princípios da ordem constitucional brasileira.

Os militares só apareceram depois. Acirrando os ânimos e cobrando agilidade por parte dos três poderes, principalmente do judiciário, no restabelecimento da “ordem”. A pergunta é, a qual ordem? A ordem da doutrina Lawfare, que distorce leis e rasga constituições para perseguir adversários políticos?

O que esses velhos gorilas não calcularam, é que “não se apaga incêndio com gasolina”, como lembrou o jornalista e escritor de saudosa memória, José Louzeiro. Mas quem esteve na Praça da Sé, em São Paulo, ou em Porto Alegre, pôde observar porque Louzeiro cunhou essa máxima. A conscientização dos proletários sobre os motivos da perseguição e condenação do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, começou a aflorar como perseguição a uma ideologia de bem estar social que nada tem a ver com corrupção ou propina.

A presença de trabalhadores, pela primeira vez, maior do que a participação de setores da classe média, geralmente ligados aos interesses de parlamentares “progressistas”, indica a revolta das massas - fator crucial ao enfrentamento que se anuncia.

O povo sabe quem são os agentes do judiciário, do parlamento e dos meios de comunicação conservadores que agem como serviçais dos oligarcas locais e dos imperialistas que comandam o golpe de estado.

Por isso a pressa em linchar o ex-Presidente Lula, com a cumplicidade dos “informantes não oficiais”, que insuflam o ódio diariamente como se as ações de justiçamento fossem legais, da mesma forma que o preso aplaude o dono da corda que será usada para enforcá-lo.

O que o ex-Presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT), enfrenta hoje, diz respeito a todos os cidadãos brasileiros e dirigentes de partidos ditos de esquerda, inclusive os que agiram de forma equivocada em busca de fama, apoiando essa onda de justiçamento.

Todos serão atingidos por esse desmonte que interessa ao mercado que explora o trabalho precário, para especular com dinheiro dos contribuintes.

O trabalhador de fábrica, o operário da indústria naval que foi demitido, que passou a fazer bico para sobreviver, começou a despertar para o que há por trás dessa narrativa de ódio “anti-corrupção”.

Do outro lado dessa cortina de fumaça mantida de forma inescrupulosa por “informantes não oficiais” que ainda se consideram jornalistas, tudo está piorando. O sujeito de classe média, desempregado, passa para o estágio de pobreza e ocupa o emprego do pobre. O pobre sem emprego fica mais pobre e tira o trabalho do sujeito que vive de bico. E assim progressivamente em uma escala de precarização que não tem fim, porque o capitalista liberal, é insaciável.

“Alea jacta est²”
“DELENDA CARTHAGO!³”
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1. Informantes não oficiais - denominação criada pela Central de Inteligência Americana, para se referir a jornalistas que colaboram com os seus respectivos planos.
2. Alea jacta est - a sorte está lançada ou o dado está lançado.
3. Delenda Carthago - é necessário destruir Cartago!
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* André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.