12.2.18

1- PARAÍSO DO TUIUTI LEVA PANELEIROS, ESCRAVIDÃO E O VAMPIRO TEMER PARA SAPUCAÍ; 2- MANGUEIRA FALA DE CRISE, FAZ CRÍTICA A CRIVELLA E RESGATA ANTIGOS CARNAVAIS

REDAÇÃO -


A Paraíso do Tuiuti, quarta agremiação a desfilar na primeira noite da Sapucaí, entrou na avenida perguntando "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?", do carnavalesco Jack Vasconcelos.

A escola mostrou a história da escravidão no Brasil e no mundo, e ainda fez críticas à recente reforma trabalhista aprovada pelo Congresso e às relações de trabalho no país. O samba levantou o público nas arquibancadas, que aplaudiu com entusiasmo a escola.

O comissão de frente emocionou, com encenação de escravos sendo açoitados por um capataz, e depois sendo benzidos por pretos velhos.

Outros destaques foram os carros alegóricos mostrando carteiras de trabalho gigantes, e um vampiro com a faixa presidencial - o "presidente vampiro" do neoliberalismo.

Mãos manipulando "marionetes" vestindo verde e amarelo também marcaram presença. A ala com fantasias de 'manifestantes fantoches' ironizava manifestantes 'coxinhas' que pediram o impeachment de Dilma Rousseff.

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Mangueira fala de crise, faz crítica a Crivella e resgata antigos carnavais


Penúltima escola do primeiro dia a entrar na avenida, a Estação Primeira de Mangueira mostrou que "Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco". O carnavalesco Leandro Vieira relembrou carnavais antigos, com o objetivo de mostrar que a crise mão pode impedir o carnaval.

A escola fez uma crítica aberta ao prefeito Marcelo Crivella, em um dos seus carros alegóricos. Um imenso boneco o representava, ao lado de um grande cartaz onde se lia: "Prefeito, pecado é não brincar o carnaval". Crivella reduziu este ano as verbas para os desfiles das escolas de samba, e pela segunda vez não apareceu na Sapucaí para assistir as agremiações.

A Verde e Rosa trouxe de volta um carnaval popular do tempo em que o apoio financeiro não era condição principal para a alegria do folião – nem na rua, nem nos desfiles, desde o seu início, nos anos 30 na Praça Onze, e depois na Avenida Presidente Vargas (no Centro), até chegar à Marquês de Sapucaí, nos anos 80.

A escola abriu espaço para os tradicionais blocos carnavalescos Cordão da Bola Preta, Bafo da Onça e Cacique de Ramos, responsáveis por arrastar uma multidão de foliões pelas ruas do Centro do Rio.

Foram lembrados ainda os antigos banhos de mar à fantasia, uma tradição carnavalesca que se perdeu com o tempo, e a cultura das fantasias de bate-bola – também chamadas de Clóvis ou rodado –, que se assemelham à roupa de um palhaço porém com uma máscara aterrorizante, tão comuns em bairros das zonas norte e oeste da cidade. (via JB)