2.2.18

75 ANOS DA VITÓRIA DO EXÉRCITO VERMELHO EM STALINGRADO

LUCAS RUBIO -

A mais simbólica fotografia da Batalha de Stalingrado: um soldado do Exército Vermelho levanta da bandeira vermelha da vitória.
A Batalha de Stalingrado foi o maior embate entre forças opostas já registrado na História. Esse importante episódio da Segunda Guerra Mundial ocorreu por uma série de razões e objetivos e a vitória dos soviéticos nessa luta foi decisiva não só para o fim da Guerra como para o destino da própria Humanidade. E hoje nós comemoramos os 75 anos do fim dessa batalha com o êxito das tropas do Exército Vermelho.

Stalingrado, renomeada logo após o triunfo da Revolução Russa em homenagem ao comandante militar que venceu o Exército Branco na região - Ióssif Stalin - era uma das maiores cidades da União Soviética e foi transformada, no processo de construção socialista, num imenso polo industrial às margens do Rio Volga, um dos mais importantes rios do país. Era uma cidade modelo, com uma malha urbana planejada, com amplas ruas e avenidas, belos blocos de apartamento populares, monumentos, praças e bosques. Suas fábricas eram diversas e produziam de fertilizantes químicos a tanques de guerra. Dali saía materiais metalúrgicos que abasteciam as imensas necessidades da URSS.

Em junho de 1941 a Alemanha Nazista invadiu a URSS. Seu objetivo era não só conquistar o país como também destruir tudo: o povo, a cultura, a Revolução. Numa guerra de extermínio nunca antes vista, cidades inteiras foram arrasadas pelos invasores fascistas. Stalingrado havia sido escolhida como um dos objetivos de captura das tropas nazistas. A cidade era importante não só por sua capacidade industrial mas também por ser a última grande resistência antes dos campos de petróleo do Cáucaso, ambicionados pelos alemães. Para essa cidade foram designadas forças descomunais por parte do Alto Comando alemão.

Em meados de 1942, após terem ultrapassado as tropas soviéticas e ocupado grandes extensões de terra na URSS, a Alemanha Nazista começou a experimentar sua maré de derrota. As tropas alemãs perdiam em Moscou e falhavam em seu objetivo de capturar a capital. As atenções então foram redobradas para Stalingrado. Divisões infernais marcharam para lá, encabeçadas pelo 6º Exército Alemão da Wehrmacht, liderado pelo General Friedrich Paulus.

Em pouco tempo os alemães abocanham boa parte de Stalingrado, não sem sofrer grandes perdas pela dura resistência soviética. O Exército Vermelho e seus soldados lutaram muito bravamente pela cidade. Cada quadra, cada rua, cada esquina, cada prédio e cada palmo de terra foi defendido à custa de muitas e muitas vidas. Mesmo assim, as tropas soviéticas foram empurradas e isoladas para uma das margens do Rio Volga, formando um último bolsão de resistência. Do outro lado do rio, estavam os alemães, defendidos pelos flancos pelas tropas títeres da Hungria, Romênia, Itália e outros aliados dos alemães.

Mesmo acanhados numa pequena região às margens do rio, os soviéticos começam a organizar uma contraofensiva sem precedentes. Operações e mobilizações nacionais foram organizadas para munir as tropas soviéticas resistentes com equipamentos necessários para libertar Stalingrado e depois o país inteiro da peste nazista. O planejamento militar ficou sob a responsabilidade dos brilhantes estrategistas militares como Júkov, Chuikov, Vasilievsky e Yeremenko.

As indústrias trabalharam em regime de 24 horas produzindo munições, metralhadoras, tanques, aviões, morteiros, canhões, foguetes e caminhões. Quando do início da guerra em 1941, essas indústrias tinham sido movidas às pressas para trás dos Montes Urais, uma imensa cadeia de montanhas que corta a Rússia em dois continentes. De trás das montanhas, essas indústrias, compostas por mulheres, adolescentes e qualquer um que pudesse ajudar, muniram o Exército Vermelho com poderosos mantimentos para o ataque mortal contra as tropas em Stalingrado. Além disso, milhares e milhares de soldados foram movidos para as margens do Volga, formando uma força impressionante.

Em janeiro de 1943 os operações para destruir o inimigo começaram. A artilharia soviética atingiu inúmeras instalações e fortificações alemães, debilitando os nazistas. As tropas vermelhas atacaram as frágeis forças italianas, húngaras, finlandesas, espanholas, iugoslavas e romenas que guardavam as laterais do 6º Exército. Aliado ao poderoso contra-ataque soviético, contribuiu também o fato da Alemanha Nazista não estar mais conseguindo entregar mantimentos para suas tropas na época, que morriam de fome, doenças e frio. A ambição de destruir a URSS cada dia mais ficava para o passado.

Destruídos os flancos, os soviéticos atravessaram o Volga e realizaram um movimento de foice com tropas dividas pelos dois lados da cidade, encurralando o 6º Exército do general Paulus. Sem conseguir se defender, a derrota chegou para os fascistas.

Em 2 de fevereiro de 1943, escondido no porão da antiga loja de departamentos «Univermag», sob a situação de ter poucas tropas suprimidas no centro de Stalingrado e sem mais opções viáveis, o General Paulus toma a decisão de se render às tropas do Exército Vermelho. Debilitado pela disenteria e revoltado com as ordens de Hitler de seguir lutando mesmo sem tropas e mantimentos, Paulus se entrega aos oficiais soviéticos, algo inédito no curso da guerra, uma vez que a ordem superior era cometer suicídio em casos extremos. Ele se rende junto a todo o 6º Exército e milhares de fascistas são feitos prisioneiros pelos soviéticos.

Stalingrado, que tanto havia sido agredida, que tanto havia sangrado e sentido o cheiro de fumaça de seus magníficos prédios em ruínas, estava libertada! Os cidadãos da cidade, que haviam enterrado seus entes queridos naquele lugar que antes era sinal de alegria e vida, respiravam aliviados! Imaginem o que se passou pela cabeça das pessoas dos países ocupados pelos nazistas. A Wehrmacht, considerada como um exército monumental e invencível, sofria sua mais dura derrota até então.

Colunas de milhares de alemães prisioneiros marcharam pelas ruas da cidade. Hitler jamais conseguiria superar essa derrota nem alcançar um posto avançado como Stalingrado. O fato alterou até mesmo sua condição psicológica. Todas as empreitadas que a Alemanha tentar após Stalingrado se revelarão fracassos. Até mesmo os aliados de Hitler, que haviam apoiado a invasão da URSS e engrossado suas fileiras com soldados voluntários, agora diziam que seria impossível vencer a URSS. A Humanidade tomava outro rumo.

Nesse conflito brutal, o mais catastrófico já registrado, morreram quase 1,5 milhões de soviéticos. Outras centenas de milhares de alemães encontraram a morte na cidade do Volga.

Stalingrado iluminou o mundo com esperança e determinação. É histórica uma fotografia de um soldado levantando ao ar uma bandeira vermelha, anunciando que a cidade novamente era do seu povo. Aqui morreram milhões de cidadãos, inocentes, soldados e combatentes que unicamente defendiam sua terra natal, sua família, sua Revolução. A crueldade alemã encontrou uma resistência em Stalingrado, heroicamente defendida pelos seus moradores, que alcançaram um ponto de virada fundamental na Grande Guerra Patriótica. Stalingrado é um exemplo da determinação humana pela liberdade e pela esperança de dias melhores e ensolarados. São vários os episódios de heroísmo e patriotismo nesse conflito. A «Casa de Pavlov» é um deles. A «Casa de Pavlov» era um bloco de apartamentos que serviu de refúgio para tropas soviéticas. O heroico Sargento Yakov Pavlov defendeu sozinho o grupo de soldados, lutando contra os alemães às vezes dentro do próprio prédio, disputando cada andar, cada apartamento. Ele manteve a resistência da casa e suas tropas depois ajudaram na libertação da cidade.

GLÓRIAS AOS DEFENSORES DE STALINGRADO! GLÓRIAS AOS CIDADÃOS DE STALINGRADO, CORAJOSAS PESSOAS QUE NÃO ABRIRAM MÃO DE SUA TERRA! MEMÓRIA ETERNA ÀS VÍTIMAS DA BATALHA! VIVA OS 75 ANOS DA VITÓRIA DO EXÉRCITO VERMELHO!

* Lucas Rubio, presidente do Centro de Estudos da Política Songun - Brasil, colaborador do site TRIBUNA DA IMPRENSA Sindical.