19.2.18

A ALIANÇA DA GLOBO COM TEMER PARA DEFENDER A INTERVENÇÃO NO RIO

JEFERSON MIOLA -


Ao contrário da Rede Globo, que dá apoio irrestrito à intervenção no Rio, a Folha de SP e o Estadão optaram por uma linha crítica.

No editorial Uma intervenção injustificável de sábado, 17/2, o Estado de SP opina que “não há razão objetiva que justifique a intervenção federal”.

O jornal duvida da eficácia da intervenção, porém o foco da sua crítica é que a medida foi adotada “a poucos dias da esperada votação da reforma da Previdência, que, por força de determinação constitucional, não poderá ser realizada em razão da intervenção”.

O editorial sustenta que “ainda que se concluísse que a intervenção era mesmo necessária, é difícil compreender por que não se poderia esperar até depois da votação daquela reforma, pois não há notícia de ameaça iminente à ordem pública – apenas a rotineira violência das balas perdidas, dos morros conflagrados e dos assaltos a turistas”.

A Folha, no editorial de segunda-feira 19/2 [Desgoverno] opina que “embora seja inquestionável o caos no Rio, intervenção suscita dúvidas a respeito de sua motivação e eficácia”.

Para o jornal, apesar de cumpridas as formalidades para a intervenção, “nem por isso suas motivações e suas chances de eficácia deixam de suscitar dúvidas, reservas e temores”.

A Folha entende que o principal objetivo da intervenção é político, para melhorar a imagem do governo através da exploração propagandística da agenda da segurança: “Por outro lado, em mistura de necessidade e oportunismo, o governo Michel Temer redefiniu os termos da discussão política. Lançar uma agenda de potencial apelo popular na segurança já era um projeto para amenizar uma palpável derrota na reforma da Previdência — e um meio de melhorar a imagem do Planalto em ano eleitoral. Nesse contexto se encaixa a perspectiva de criação de um ministério para o setor”.

Desde que a intervenção foi decidida, não cessam as críticas de especialistas e das próprias autoridades militares. E tem aumentado o consenso público de que esta grave medida, adotada às pressas pelo governo do vampiro neoliberalista Temer, atende a propósitos que ainda não estão totalmente esclarecidos.

A intervenção no Rio dividiu setores da mídia golpista. Enquanto a Folha e o Estadão se posicionam contrariamente, a Globo se alia ao vampiro neoliberalista não só para defender a intervenção, como também para agendar politicamente a segurança pública na conjuntura eleitoral.