14.2.18

A NATUREZA

MIRANDA SÁ -

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Lavoisier)


O milagre da vida nos apresenta uma forma de existência cuja origem e fim obedecem às leis da Natureza. Entretanto, a Natureza não é levada a sério na História das Religiões.

Do antigo Egito, da Índia e da Mesopotâmia vieram as fábulas incorporadas ao livro sagrado dos judeus e dos cristãos, a Bíblia. O livro traz como explicação para a vida e para os seres vivos, a criação do mundo por Deus em seis dias; e, no terceiro dia, formou as plantas; no quinto, os peixes e os pássaros; no sexto, os animais; e por fim os seres humanos: Adão moldado em argila e vivificado com um sopro; da sua costela, veio Eva.

A ciência moderna nos prova que essa concepção mística para a origem da vida não passa de uma lenda cujo simplismo é substituído pela comprovação científica laboratorial; entretanto, arrastou-se por séculos do mesmo modo como o geocentrismo criado pelo astrônomo grego Ptolomeu, no século II d.C., e imposto aos cristãos pelo papado como uma verdade divina.

Quem tentou apontar a falsidade deste modelo, pagou caro. A obra de Copérnico foi condenada pela Inquisição e Giordano Bruno foi morto na fogueira ao apoiar o heliocentrismo.

Um dos mais importantes estudiosos da astronomia, Galileu Galilei, comprovou o heliocentrismo com base em observações; porém foi obrigado a retratar-se perante a Igreja para não ser condenado à morte.

O termo “Natureza” refere-se aos fenômenos do mundo físico e à vida em geral; e, embora não incluindo os artefatos produzidos pelo homem, tem através deles a explicação dos seus fenômenos.

A Natureza se vinga dos que tentam impor-lhe condicionamentos com a promulgação de leis…  Apareceu no Brasil recentemente uma lei esticando a adolescência até os trinta anos, atropelando a Biologia para atender facções extremistas e possivelmente também ao Mercado.

Os cientistas, todavia, apresentam estudos que desmentem legisladores despreparados, coagidos ou comprados, os mesmos que não dão importância social à culpabilidade de crianças e adolescentes nos crimes cometidos por eles.

Um estudo publicado pela Universidade de Stanford, “As Sete Idades do Homem”, traz uma série antológica de consagrados estudiosos, organizada pelos professores Robert R. Sears e S. Shirley Feldman.

As exposições sobre a “adolescência” (de 12 a 18 anos) e o “adulto jovem” (de 18 a 30 anos) descrevem o desenvolvimento corporal, a formação da personalidade e a capacidade física e mental dos indivíduos.

No tocante à “adolescência”, o estudo reconhece a sua maturidade física e o crescimento intelectual e emocional. Citada, a “Teoria da Personalidade” de Erikson expõe a busca da identidade pela autonomia comportamental, o isolamento dos adultos e forte relacionamento com colegas da mesma idade. A inteligência chega ao auge em torno dos 16 anos, tanto para meninos como para meninas.

O “adulto jovem” é aquele que já completou todo o ciclo físico e mental. Entre os 18 e 30 anos o indivíduo chega ao estado de plenitude mais elevado. Foi superada a dependência anterior da adolescência e atinge o equilíbrio emocional em relação ao sexo.

Aprofundando estas questões, vê-se a necessidade de se dar mais seriedade aos limites cíveis ou penais. O “adulto jovem” já não é um adolescente e este não é um irresponsável atoleimado, incapaz de distinguir um comportamento sadio de uma ação criminosa.

Felizmente os brasileiros acordaram para a questão da maioridade penal, com pesquisas que indicam 84% favoráveis à redução de 18 para 16 anos. Eu defendo a abstração da idade e a condenação pela natureza do crime.

Para os que ainda não despertaram para a realidade, declaro meu apoio a Victor Hugo: “É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve”.