8.2.18

A SANHA DOS DEMÔNIOS QUE DESCEM DO NORTE DEFLAGRA NOVA ONDA DE GOLPES NA AMÉRICA LATINA

ANDRÉ MOREAU -


Os recentes golpes de estado deflagrados para neutralizar políticas sociais em Honduras (28/6/2009), contra o Presidente Manuel Zelaya e no Paraguai (22/6/2012), que derrubou o Presidente Fernando Lugo, aparentavam não ter ligação, mas agora deve ser objeto de reflexão de estudiosos da geopolítica latino-americana.

O processo de impeachment, sem mérito, usado para cassar a Presidenta Dilma Rousseff (31/8/2016), guardada as devidas proporções, teve o“modus operandi” semelhante ao empregado para derrubar o Presidente Fernando Lugo, que ao contrário da Mandatária, caiu em 24 horas.

Antes de deixar a presidência do Equador, Rafael Correa falou sobre a ameaça que poderia comprometer a estabilidade da América Latina e comparou o esquema em curso com uma nova Operação Condor, mas sem tanques nas ruas e no lugar de militares, membros dos ministérios públicos, dos judiciários e dos parlamentos.

A falta de unidade entre os líderes dos movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos ditos de esquerda, envenenados pela citada narrativa de mentiras, que enfraqueceu o governo da Presidenta Rousseff, alertou o Presidente Nicolás Maduro, para a necessidade de fortalecer os motores de defesa da República Bolivariana da Venezuela, das ameaças em curso.

Diante da ameaça, o povo venezuelano se mobilizou com agilidade - equânime aos articulistas dos veículos de comunicação estatais. Num clima que sensibilizou líderes de vários países, a Constituinte de 2017 foi aprovada e conteve a onda de conspirações no judiciário, no parlamento, nos meios de comunicação conservadores e nas ruas. O contingente das forças armadas foi fortalecido por membros das “milícias nacionalistas” e o governo de Nicolás Maduro, neutralizou a onda de “guarimbas”.

Enquanto a oposição da Venezuela atacava políticas sociais de forma inconstitucional, a Revolução Bolivariana era fortalecida através da atuação de líderes populares. O plano de invasão tramado pelo Comando Sul dos EUA, foi denunciado através de meios de comunicação progressistas e desarmado por Maduro.

A republica de Honduras que até as últimas eleições (26/11/2017), poderia ter ficado de fora dessa seqüência de golpes que ocorrem sempre que o Estado norte-americano resolve reviver a doutrina Monroe, foi palco de uma fraude eleitoral na qual usaram urnas brasileiras de primeira geração, emprestadas pelo governo ilegítimo do Brasil.

Salvador Nasralla, candidato da Aliança contra a Ditadura, denunciou a fraude eleitoral com apoio do ex-Presidente Zelaya, ocorrida na apuração dos votos, quando a oposição liderava a contagem e houve o corte no fornecimento de energia elétrica que interrompeu os PCs da Justiça Eleitoral. Quando os computadores voltaram a funcionar, cinco horas depois, Juan Orlando Hernández, do Partido Nacional, atual presidente da República passou a liderar a apuração até vencer as eleições com 1,5%, de vantagem. Hernández foi reeleito apesar da reeleição não ser prevista na Constituição. Cumpre ressaltar que o ex-Presidente Zelaya foi deposto em 2009, sob acusação de tentar convocar uma constituinte que admitisse reeleições.

Lenin Moreno que assumiu a presidência do Ecuador (24/5/2017), graças ao apoio do ex-Presidente Rafael Correa, foi considerado pelo mesmo: "(...) o maior traidor da Alianza País". Moreno que se dizia defensor do programa político “Alianza País”, passou a destratar alianças políticas, visando apoiar um plano político e econômico de redução de impostos para empresas, semelhante ao implantado no Brasil, com base em supostas medidas anti-corrupção, em detrimento das políticas sociais.

No Brasil as ações jurídicas contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se multiplicaram desde o golpe de 2016. A condenação de primeiro grau, de nove (9) anos e seis (6) meses foi aumentada em segundo grau (24/1/2018), para: doze (12) anos e um (1) mês, em regime fechado. Esse um (1) mês impossibilita a prescrição do processo.

Em meio aos choques com base na teoria de Milton Friedman, o desmonte da política social, abriu outra ferida entre os cidadãos brasileiros que viram a máxima que diz: “não há crime perfeito, mas investigação mal feita”, ser substituída pelas convicções de promotores e juízes - “modus operandi” da doutrina Lawfare que se apóia na teoria do “domínio do fato”.

As declarações da Presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia (4), agravaram o quadro - reforçando a implantação da prisão a partir da condenação de Lula, em segundo grau, indicando que a corte máxima de justiça que deveria zelar pela Constituição vai submeter o povo a narrativa de ódio acirrada por editores das Organizações Globo que ocultam os pecados dos privilegiados.

E como não há crime perfeito, esperamos estar vivos para ver o que acontecerá quando as condenações sem provas forem investigadas e trazidas a público - assim como vimos os documentos que comprovaram o golpe contra o Presidente João Belchior Márquez Goulart.

* André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.