15.2.18

CONTROLE DA MÍDIA OPERADO NO BRASIL É OFUSCADO PELA REAÇÃO POPULAR

ANDRÉ MOREAU -

(Com informações da pesquisa Monitoramento da Propriedade da Mídia no Brasil).


A brutal desigualdade de informação pública que há no Brasil decorre do controle dos gananciosos barões da mídia que faturam operando contra todos os serviços sociais que beneficiam os mais pobres, em diferentes segmentos empresariais.

Para saber o quanto a desigualdade social é rentável, precisamos levar em conta informações sobre seus respectivos negócios e os seguintes questionamentos: 21 dos 26 grupos de comunicação controlados pela Globo, Bandeirantes, Record, Folha e em escala regional a RBS, atuam nos setores do ensino, finanças – previdência privada, imobiliário, agropecuário, energético, de transportes, infraestrutura e saúde.

Qual a pluralidade das informações elaboradas por profissionais de imprensa que trabalham nas citadas empresas de comunicação, para falar sobre educação pública?

Que autonomia esperar do jornalista que trabalha em uma ou outra das empresas de comunicação das famílias Saad e Marinho, para falar sobre qualidade dos alimentos, se os seus patrões também são donos de diversas empresas e fazendas de produtos agrícolas, assim como João Carlos Di Gênio (Grupo Mix de Comunicação/Grupo Objetivo, os donos da TV Vitória (SBT Uberlândia – MG) e da TV Goiana (Band Goiana - GO) e o Conglomerado Alfadonos entre outras da Agropalma?

Qual informação se pode esperar do jornalismo auto-denominado “imparcial”, a respeito da reforma agrária ou do uso abusivo de agrotóxicos: que “Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo”.

Os enredos das escolas de Samba Paraíso do Tuiuti, Estação Primeira da Mangueira e da vitoriosa, Beija-Flor, denunciaram de forma apoteótica o que vem ocorrendo no País em função da monstruosa promoção dos citados meios de comunicação ao golpe de estado: a reação dos mais pobres à guerra de classes deflagrada pelo estado, acirrada com o desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho e a ameaça de privatizar a Previdência Social.

O choque que atingiu a narrativa moralista conduzida por diretores das Organizações Globo, surpreendeu os titereiros que se apressaram em conseguir autorizações, para as pressas, premiar com Estandarte de Ouro o cantor Martinho da Vila e a Escola de Samba Salgueiro, um dia antes de serem anunciadas as primeiras colocadas, na tentativa de interferir com repetidas chamadas nos telejornais, no resultado oficial, mas o tiro saiu pela culatra.

Enquanto os mentores da Casa Branca acionavam mais satélites no território verde e amarelo, os que comandam as ações da Casa Grande, cobravam através dos noticiários, maior repressão por parte dos agentes públicos de segurança, esquecendo que eles também integram a massa.

Assim como no golpe passado, os oligarcas que vivem no Brasil continuam sem saber pensar no início, meio e fim da estratégia de dominação. Executam a tarefa com seus capitães do mato pensando apenas nos lucros. Confiantes na força do capital com o qual podem comprar ministros do Supremo Tribunal Federal que pagam com “penduricalhos” e outros “benefícios”, aos agentes do judiciário.

O “modus operandi” nesse golpe de estado é mais sofisticado, entretanto a compra dos serviçais do parlamento, segue a mesma via: com verba oriunda dos cofres públicos, ou seja, dinheiro que sai do bolso de todo cidadão que, por exemplo, compra feijão e arroz. Assim o governo ilegítimo compra os vendilhões da Câmara e do Senado, para manter a máquina do desmonte azeitada e as geladeiras cheias.

O problema que brotou das mencionadas manifestações artísticas populares, além de expor as “feridas abertas” pelas citadas ações ilegais e inconstitucionais, deram gás às ações marginais, evidenciando o fracasso da narrativa midiática de alienação da massa, a partir de argumentos como, por exemplo, das supostas versões “anti-corrupção”, de “austeridade” e “moralidade”, que na prática se contradizem na pregação, visando na verdade “pacificar” os escravos/monstros, com aumento da repressão jurídica/policial.

Por outro lado, a resposta contra a guerra de classes deflagrada pelo estado, brotou de forma extintiva, através da autodefesa das pessoas mais atingidas, dos pobres que passaram para o estágio da miséria extrema e em vez de se prostituírem para sobreviver, preferiram furtar alimentos, assaltar supermercados, caminhões de carga, Etc.

Reação previsível para os experientes agentes dos serviços de inteligência de Israel e dos EUA que operam o esquema a serviço da Casa Branca. Isso é explicado pelo acirramento do plano capitaneado por oligarcas dos meios de moer mentes das Organizações Globo e Band, mas caso não consigam atingir suas metas por essas vias, o golpe será aprofundado com choques diferentes, até porque o dinheiro que corre na roda é alto e a meta é acelerar o desmonte da soberania nacional.

* André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.