19.2.18

ENFIM, UM HERÓI!

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Enfim, um herói nacional!

Temer subiu ao púlpito do Planalto e proclamou à cidade e ao mundo: Basta de violência. Nesse momento mágico, cercado por uma bateria de sete ministros e sob os auspícios do Alto Comando do Exército, exibiu para a mídia seu maior feito contra a criminalidade. Antes esmagado pela impopularidade, agora renasce como fênix a partir das cinzas da tragédia social do Rio de Janeiro. Suas palavras decisivas são: basta de criminalidade, no Rio ou em outros Estados. Ou seja, ele se prepara para ação também em outros Estados.

Não fosse isso reflexo de uma tragédia, seria simplesmente cômico. Aproveitar a arruaça midiática de carnaval, similar à de todos os demais carnavais, para aparecer junto à opinião pública como campeão da segurança é mais uma desonestidade, das muitas, de Michel Temer. Essa tem o elemento adicional de envolver diretamente as Forças Armadas e, em especial, o Exército. O resultado certo é que o futuro é incerto. Temer observou pesos e contrapesos; se a violência continuar, a culpa não será dele, mas do general Braga Netto.

Existe também a hipótese, que aventei anteriormente, de ele tentar encobrir o fracasso no Rio com a eventual candidatura de Braga à Presidência da República. A sociedade está tão atemorizada com a insegurança que talvez aceite um candidato militar, em especial diante da mediocridade dos pré-candidatos de direita. Os mais velhos se lembram da última cena de “Muito Além do Jardim”, com o saudoso Peter Sellers, quando os plutocratas da república começaram a tramar, no enterro do líder, a candidatura do idiota, Sellers, à Presidência da República.

É fato que, tendo em vista as parcas e moderadas declarações dadas de início, Braga Netto não é bem um idiota. Sabe, com realismo militar, que o problema de segurança não será resolvido apenas em sua órbita. É um problema financeiro do Estado e é um problema essencialmente econômico do país. Se entender dessa forma, e se se mantiver alheio à política eleitoral, o general poderá dar grande contribuição ao país, pressionando, por exemplo, pela revogação da emenda 95, a que congela os orçamentos primários por vinte anos.

Pelo que tenho ouvido, nem todos os generais da ativa pensam em intervenção no governo ou em candidatura própria. Fala-se, sim, do general da reserva Heleno Ribeiro Pereira, ex-comandante das forças da ONU no Haiti. Considerado de extrema direita no plano político, apresenta-se como moralista, o que infunde certo receio aos bandidos da Lava Jato. No caso do general Braga, a Presidência bem vale a missa de uma criminalização do caixa dois, o que tem o efeito oposto da não criminalização de todos os atos de caixa dois anteriores à lei.

No contexto financeiro do Estado, a intervenção do general Braga será um retumbante fracasso. Segurança não é um problema em si. É parte de um problema maior que se refere a toda a área pública. A linha do Governo Temer tem sido justamente de estrangulamento do setor público para agradar o mercado. De fato, Meirelles anunciou que o dinheiro adicional para a segurança do Rio virá do remanejamento de recursos de outras áreas. Ou seja, de saúde e segurança, principalmente, pois é onde a massa de recursos comprometida é maior.