14.2.18

O DESFILE DA BEIJA-FLOR DEIXOU EVIDENTE A LINHA OPINATIVA DISFARÇADA DE IMPARCIAL DA TV GLOBO NO CARNAVAL DE 2018

ANDRÉ MOREAU -

Tuiuti mostrou a causa dos nossos problemas, Beija Flor, as consequências.
O desfile da Beija-Flor (13), subverteu a ordem das manipulações dos diretores das Organizações Globo, ao abrir o Sambódromo para a massa ocupá-lo e cantar a capela o Samba: “Os Filhos Abandonados da Pátria que os Pariu”, mas a direção de O Globo, indica que continuará manipulando os incautos, até impor o semipresidencialismo ou parlamentarismo.

Além da responsabilidade na convulsão social em curso, o JN (13) reduziu o espaço da Beija-Flor, abrindo o noticiário com a cantilena que joga nas costas dos agentes de segurança pública o que eles fizeram com o País.

Para completar o quadro foi anunciada a premiação com Estandarte de Ouro do jornal O Globo, o cantor Martinho da Vila e da Escola de Samba Salgueiro que teve como enredo: "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco", um dia antes dos resultados oficiais serem anunciados, em nítida aversão à opinião do povo.

A Ópera da Beija-Flor, intitulada: “Os Filhos Abandonados da Pátria que os Pariu”, retratou com requintes de detalhes as conseqüências do retrocesso social que vem atingindo o Brasil, a partir de manipulações da mídia, das sabotagens do parlamento e de sentenças exaradas sem provas, por setores do judiciário.

A apresentação da Beija-Flor, deu voz para o povo pobre denunciar quem está por trás do retrocesso imposto pelos ilegítimos ocupantes da presidência da República, ministros do STF, promotores, juízes, desembargadores, oligarcas que se consideram donos das concessões de radiodifusão de massas, deputados, senadores, governadores de estados e prefeitos.

Não é preciso ser especialista do ramo audiovisual, para constatar que a direção das Organizações Globo vem promovendo de forma explícita correntes reacionárias dos três poderes e do Carnaval - mantidas com fartos “penduricalhos”, anúncios, luxuosas fantasias, para responderem as ordens dos poderosos em detrimento do povo.

A Paraíso do Tuiuti, foi a escola que entre as pequenas, rompeu esse paradigma neoliberal que tirou o sentido do Carnaval. A Mangueira eternizou o prefeito que administra a Cidade Maravilhosa objetivando favorecer a sua seita, em detrimento da recuperação dos internos do sistema penitenciário, que para serem ressocializados têm que decorar a bíblia “evangélica”.

Puxado pelo experiente Neguinho da Beija-Flor, o enredo é baseado no romance de Mary Shelley (1818), interpretada no desfile por Fabiola David, sobre o estudante de ciências naturais Victor Frankenstein, criador do monstro que no final da história é abandonado à própria sorte, assim como o povo brasileiro depois do golpe de 2016.

A pergunta que afinal contagiou a massa e parece que não vai mais calar, é a seguinte: quem são esses doutores que apoiaram o golpe e agora abandonam os filhos como monstros, à própria sorte?

O “(...) grande arrastão de alegria em nome do povo desse País” como bem assinalou o Carnavalesco Cid Carvalho, antes do desfile dos foliões que não agüentam mais o desmonte social em curso no País, contagiou o público que vê o monstro se rebelar pelas ruas: e os doutores só falam em repressão policial, na tentativa de controlar o fenômeno social que anuncia a guerra de classes que está por vir.

A interpretação chocou os diretores das Organizações Globo que se empenharam em sabotar as filmagens do desfile, logo a partir da abertura quando, por exemplo, exibiu de forma tímida a comissão de frente intitulada “Frankenstein ou o Prometeu Moderno”, baseada na tragédia grega “Prometeu Acorrentado” de Ésquilo, que retratou o abutre sobrevoando o trenó, para devorar o homem acorrentado, cercado de lobos famintos, do qual dia após dia comia um pedaço de suas entranhas, em alusão a águia do norte que vem devorando as entranhas do povo brasileiro e levando a nossa riqueza para suas terras.

O monstro que no final termina despedaçado no centro da arena de futebol, representa o povo brasileiro faminto, abandonado pelos criadores golpistas, dentre eles o que ocupou de forma ilegítima a presidência do Brasil e abandonou o monstro/povo, não na geleira, mas sendo mutilado pelos demônios verde e amarelo, os mesmos que conspiraram pela deposição da “Presidenta Valente” Dilma Rousseff.

Cumpre lembrar aos doutores das Organizações Globo, operadores do golpe de estado de 2016, que não faltaram avisos como o de Cid Carvalho, que se dirigiu a todos os criadores de monstros e lembrou: “(...) Monstro é aquele que não sabe amar (...)”.

E como tudo na vida tem retorno, as manipulações visando ocultar a comissão de frente, acabaram valorizando a porta-bandeira Selminha Sorriso e o Mestre-Sala Claudinho Souza, que além de abrilhantarem a abertura do desfile, anunciaram com talento o que vinha na seqüência.

Os diretores da famigerada TV Globo bateram cabeças por trás dos monitores, ordenando cortes fora de hora, supressão de legendas, enquanto tentavam entender o irretocável desfile da Beija-Flor que explodiu como uma bomba nos seus respectivos colos.

O Dr. Victor Frankenstein foi interpretado com competência pelo ator Edson Celulari que representou os conflitos do criador com a criatura, na embarcação que se transformou no laboratório do jovem cientista, de onde a história do monstro que espelha a realidade do povo brasileiro hoje, começou a ser contada.

A “Ala Piratas - Pilhagem e Espólio” retratou a ganância dos estrangeiros desde o pré-capitalismo, indicando em síntese como o povo foi submetido ao atual desgoverno: a partir da pilhagem das riquezas dos povos indígenas.

O crédito “Ala Impostos do Inferno” foi exibido com duração de cerca de 1 segundo, mostrando a má vontade na edição do audiovisual.

Puxado por uma enorme ratazana, o prédio da Petrobrás de onde saiu tanto dinheiro para a Globo Filmes, foi retratado como bordel nos andares altos, onde prostitutas aguardavam cachês e em favela no térreo.

Outro carro mostrou o resultado de tanta roubalheira: jovens armados em sala de aula, presídios lotados, policiais baleados.

A atriz Cláudia Raia foi importante destaque antes dos foliões ocuparem de forma apoteótica o Sambódromo, como nunca antes na história, afinal, a classe teatral está de pires na mão.

* André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.