2.2.18

O INIMIGO COLOCADO SEM SAÍDA NA QUINA DA PAREDE AVANÇA NO PESCOÇO DO OPRESSOR

ANDRÉ MOREAU -


Ao responder pela justiça penal os juízes, funcionários públicos, são responsáveis pela vida dos cidadãos julgados, assim como os promotores do Ministério Público, devem zelar pelo público, em contra ponto ao poder do estado.

Por isso existem cláusulas pétreas na Constituição, para equilibrar a força do poder do estado contra o cidadão réu, cláusulas que só podem ser mudadas em uma Constituinte. No entanto esse equilíbrio se perdeu quando o MP passou a ter o poder de investigação e as cláusulas pétreas se tornaram maleáveis junto aos poderes que deveriam zelar por elas.

Percebendo a possibilidade de usar forças do judiciário para desestabilizar a democracia brasileira agentes do Estado norte-americano deflagraram o plano Atlanta e vem incrementando o Lawfare no Brasil, com auxilio de oligarcas locais, principalmente os que comandam veículos de comunicação conservadores.

Boa parte da classe média - média, que foi às ruas bater panelas em apoio a campanha de deposição da Presidenta Dilma Rousseff, não sabia o tamanho da armadilha em que estava se metendo.

Pelo contrário, os incautos em estado de catarse pareciam agir como crentes seguindo os mandamentos do Ministério da Verdade, que acirrou a narrativa dizendo que em uma semana depois do “impeachment”, sem mérito, da presidenta terrorista, tudo se resolveria com o restabelecimento do crédito junto ao “deus mercado”.

O que não se falava nos meios de comunicação conservadores, é que os impactos da crise internacional, gerada por especuladores norte-americanos, eram pequenos em comparação aos prejuízos com a Lei Kandir, sancionada por FHC.

O acúmulo de isenções na cobrança de impostos sobre produtos exportados, dentre outros benefícios concedidos por FHC às grandes empresas atingiram em cheio estados como o Rio que vinha investindo pesado em obras da indústria naval e incrementando empresas ligadas ao beneficiamento de petróleo e a exportação de óleo e gás, brechas que facilitaram a indução da crise. 

Após o golpe contra a Mandatária, funcionários públicos do governo do Rio tiveram seus salários cortados e conseqüentemente pararam de pagar serviços básicos, alimentando o processo de desestabilização planejado com base na teoria de choques do prêmio Nobel de economia, Milton Friedman.

Diversos setores foram atingidos com o corte de despesas básicas como de condomínio; gás; energia elétrica. Suspensão de planos de saúde. Retirada de estudantes de escolas particulares. Sobrecarga ao Sistema Único de Saúde, a partir do aumento desproporcional dos planos de saúde.

Com os investimentos em serviços sociais congelados por vinte anos pelo governo ilegítimo, funcionários públicos passaram a fazer biscates e a pedir cestas básicas, ou seja, foram empurrados para o estágio da pobreza. As pessoas mais pobres passaram a disputar biscates com cidadãos oriundos da classe média - média, realidade que empurrou parte dessas pessoas para a miséria extrema.

A crescente decadência, no entanto, parecia não incomodar a maioria dos membros do Congresso Nacional, da Assembléia Legislativa, da Câmara dos Vereadores, dos poderes judiciário e executivo, que buscavam na narrativa “anti-corrupção”, alguns minutos de glória.

Sob o manto dessa onda de justiçamento, parte da nação que vive no estágio de miséria extrema, entrou em convulsão social, o que pode ser acompanhado pelo aumento do furto de alimentos e assaltos a caminhões de cargas. 

A ocultação da pesquisa do governo sobre a diminuição do consumo de drogas indica, além do crescimento desse processo em escala nacional, o uso de armas de grosso calibre nas ações, o que pode ser observado como decorrente do empobrecimento dos pequenos consumidores de drogas.

A força da convulsão social que chama a atenção de “especialistas”, funciona como choque, justificando a destinação de mais verba para setores da segurança pública, mas também vem ajudando a despertar trabalhares sobre o que de fato ocorre no País. 

Os articulistas do golpe não imaginavam que os trabalhadores organizados em sindicatos e movimentos sociais se mobilizariam de forma tão expressiva no dia da condenação junto ao TRF-4, em maior número nas manifestações de rua do que membros dos partidos políticos.

O aumento da pena de prisão do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para doze anos de cadeia, de acordo com a narrativa em curso, deveria funcionar como mais um choque que frustrasse as esperanças do povo, mas ao que tudo indica, serviu como um “tiro no pé”, ou seja, como uma provocação aos direitos dos trabalhadores. 

* André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.