8.2.18

POLÍTICOS DEFENSORES DO LUCRO FÁCIL PARA EMPRESÁRIOS JÁ NÃO ESCONDEM O JOGO

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Nos últimos dias, fatos relacionados aos pré-candidatos estão ficando claros. É o caso de Geraldo Alckmin, do PSDB, que declarou ser favorável às privatizações, não escondendo inclusive a mesma posição relacionada com a Petrobrás. O pré-candidato simplesmente segue o que foi tentado nas gestões do então presidente Fernando Henrique Cardoso nos anos 90, mas a reação dos trabalhadores, sobretudo dos petroleiros, impediu.

É assim que caminha o PSDB, que segue integralmente o ideário de FHC, um político ultra badalado pela mídia comercial, exatamente por defender incondicionalmente todas as privatizações tornando-se na prática não só o “príncipe dos sociólogos” como o favorito dos empresários que correm atrás do lucro fácil.

Se alguém tem dúvidas a esse respeito, basta consultar os espaços midiáticos tradicionais para constatar como o ex-presidente é bem tratado, como se fosse o político mais honesto e promissor que já apareceu na história brasileira. Não se fala do valioso imóvel na avenida Foch, em Paris. Antes de FHC, o endeusado era Eurico Gaspar Dutra, que governou o país depois da primeira eleição presidencial após a derrocada do Estado Novo, tendo então o Brasil também andado para trás.

Dutra e FHC de alguma forma guardam semelhanças. Ambos facilitaram e muito a vida do empresariado, inclusive o primeiro congelou o salário mínimo e fez o Brasil importar tudo o que aparecia pela frente. Tinha um objetivo, evitar o desenvolvimento do país ao aceitar de mão beijada tudo o que fosse destinado a evitar o crescimento nacional.

Guardando-se as devidas proporções, inclusive o fator tempo, FHC também facilitou a vida do empresariado, preferencialmente os vinculados com as multinacionais. Foi sempre endeusado por esses setores e pela mídia comercial, principalmente quando se posicionou em favor de apressar o fim dos pontos positivos que deixou o presidente Getúlio Vargas. É histórica a observação de FHC afirmando a necessidade de se acabar com a Era Vargas, o que o lesa pátria Temer e sua patota levaram adiante com a reforma trabalhista e outras ainda em execução, mas de difícil aprovação, como a contra reforma da Previdência.

E nesse conceito se encontrava o desejo do então presidente de privatizar a Petrobrás, agora defendido por Geraldo Alckmin. Ele certamente quer o engajamento de FHC em sua candidatura, porque o “príncipe dos sociólogos” continua dando a última palavra sobre os destinos dos correligionários do PSDB.

Além de Alckmin, outro pré-candidato, o defensor de torturadores Jair Bolsonaro, segundo a Folha de S.Paulo, foi muito bem recebido por empresários e banqueiros reunidos para ouvi-lo. Agradou tanto que os presentes, ainda segundo a Folha, fizeram questão de fazer selfies com o pré-candidato. Foi também uma demonstração inequívoca de que Bolsonaro não passa de uma invenção do mesmo setor empresarial que apoiou o anterior golpe de abril de 1964.

Em suma, Alckmin, Bolsonaro e FHC, não passam de farinha do mesmo saco político de retrocesso, embora possam parecer às vezes distantes. Na história mundial, figuras do gênero Bolsonaro, ou seja, fascistas e nazistas defensores de terríveis violações dos direitos humanos, só prosperam quando recebem o sinal verde do setor empresarial. São uma espécie de regra três do capitalismo, ou seja, aparecem quando o modo de produção corre algum perigo.

Enquanto isso, por enquanto, o mundo do capital no Brasil tem a seu dispor o atual presidente Michel Temer com sua patota peemedebista, que assumiu o poder após a deflagração de mais um golpe na história brasileira.

No rol de pré-candidatos semelhantes aos mencionados aparecem Henrique Meirelles e Rodrigo Maia, também ardorosos defensores de privatizações e contra reformas como a da Previdência, igualmente defendida por Bolsonaro.

O sistema dominante neste momento quer de todas as formas evitar pré-candidatos que não aceitam as propostas defendidas por Alckmin, Bolsonaro, Meirelles, Maia e também o apresentador global Luciano Huck, que poderá se tornar até o regra três do empresariado e dos banqueiros se nenhum dos pré-candidatos citados emplacarem.

Mas se nada der certo para o setor tentarão mudar as regras do jogo para evitar a eleição de um candidato que se apresente contra o que vem sendo feito por Temer e defendido por candidatos preferenciais como os endeusados pelos empresários.

Ou alguém ainda tem dúvidas sobre a possibilidade da mudança das regras do jogo acontecer para evitar que os eleitores julguem o que vem sendo feito pelo atual governo ilegítimo? Quem assistiu a entrevista do ridículo Michel Temer na TV Bandeirantes na última terça-feira (6) não teve dúvidas que o esquema enfrenta grandes dificuldades para enganar até os incautos. Temer até que tentou vender o seu peixe podre, mas não consegue de forma alguma, como se pode notar quando aparece falando e gesticulando de forma sempre ridícula.

As pesquisas de opinião pública não surpreendem, apenas espelham o que vem acontecendo atualmente no mundo político.

Em tempo, mais um integrante do Poder Judiciário, agora o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, vem sendo contemplado com o tal auxílio moradia mesmo sendo ele proprietário de imóveis em Brasília, segundo informa também a Folha de S. Paulo.

Se um ministro da instância máxima da Justiça brasileira recebe o complemento, podem imaginar os juízes em outras instâncias? Haja visto Sergio Moro, Marcelo Bretas e outros do Oiapoque ao Chuí.

Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente na Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói.