15.2.18

REGULAMENTAÇÃO DAS DROGAS ILÍCITAS, QUESTÃO DE VIDA OU MORTE!

DANIEL MAZOLA -

É preciso urgentemente regulamentar e legalizar as drogas ilícitas no Brasil, mas primeiro vamos ao debate que nos é negado.


A sociedade brasileira precisa refletir e debater com extrema urgência a questão da proibição das drogas ilícitas, mas sem preconceitos, do contrario continuaremos sendo vitimas do “monstro” que ajudamos a criar e estamos alimentando. Precisamos aprovar e regulamentares Leis, principalmente para a prevenção dessas substâncias. Essa questão não afeta somente traficantes e usuários, mas toda população, somos vitimas dessa grande corporação multinacional chamada narcotráfico.

Estima-se que mais de 200 milhões de pessoas consomem drogas ilícitas no mundo, e certamente mais de US$ 500 bilhões circulam por ano, em função da proibição do mercado das drogas ilícitas. Os ricamente favorecidos: banqueiros, sistema financeiro e bolsas de valores, responsáveis pela lavagem de dinheiro proveniente do comercio ilegal, e claro, os “empresários” do narcotráfico. Segundo um estudo elaborado pela ONU, a lavagem do dinheiro do narcotráfico serviu para salvar vários bancos da bancarrota.

A escalada do poder econômico do narcotráfico teve inicio com a proibição de algumas drogas nos Estados Unidos da América, isso na primeira metade do século XX. Nessa época até as bebidas alcoólicas foram proibidas, lembram da famosa Lei Seca de 1919. Os proprietários de fabricas forçaram a proibição de diversas drogas, pois estavam interessados no aproveitamento máximo da força de trabalho, a coerção industrial estabeleceu como principais alvos o sexo (prostituição), e as drogas. A partir da década de 60 ocorreu a grande explosão do consumo, houve  aumento significativo da demanda de maconha, haxixe e cocaína no EUA e na Europa, estimulando a formação dos famosos cartéis mafiosos aqui na América do Sul. Colômbia, Peru e Bolívia.

Não faz sentido seguirmos repetindo chavões e piadas idiotas sobre drogados e traficantes, não é sensato e bom para o conjunto da sociedade que continuemos reproduzindo preconceitos moralistas, deixando esse importante debate de lado, obscurecido. Lembremos que são drogas tanto medicamentos lícitos vendidos em qualquer farmácia, quanto álcool, tabaco e as drogas ilícitas como maconha, cocaína, etc. O uso descontrolado de qualquer droga pode ser problemático e perigoso, então se faz necessário políticas públicas e sociais voltadas para a prevenção e o tratamento dos dependentes químicos, seja a droga que for.

Guerra às drogas - Vivemos o cotidiano do contraditório e da criminalização da pobreza, a proibição só amplia a desigualdade social, a repressão, e a exploração da classe trabalhadora. Alguns indivíduos são recrutados ou seduzidos, e encontram na comercialização das drogas seu meio de “sobrevivência”. A juventude negra e pobre que vive nas periferias e favelas do Brasil é a principal vítima da chamada “Guerra às Drogas”, que é a grande justificativa para ações policiais que esculacham e matam diariamente dentro dessas comunidades de baixa renda.

O Estado por meio dos governantes e parlamentares do sistema, e de seu braço militar e jurídico, elege o “Tráfico” como sendo o mal a ser combatido na sociedade, e baseia sua política de segurança pública no seu combate, contando com a sustentação ideológica feita pela mídia hegemônica. Foi, e é por termos governos com essas características que fomos um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão. E mesmo depois de aboli-la mantivemos todo o apartheid, comprovado com a repressão aos chamados “rolezinhos” atualmente.

Sobre esse tema prioritário para o povão massacrado, e para os rumos políticos do país, seguimos desinformados e iludidos pelo chamado jornalismo de mercado. Omitindo-nos e fazendo piadinhas de mau gosto, milhares de pessoas morrem todo ano em função do mostro ilegal que ajudamos a alimentar (com omissão e desinformação), e criamos. Mas assim como alguns países vizinhos estão fazendo, com debate sem preconceito, e sem nos eximir, podemos transformar algo perverso e destruidor, em projetos sociais, medicinais, industriais, trabalhistas, e também libertários e criativos.

Com isso, estaremos melhorando nossa tão degradada qualidade de vida, fortaleceremos a Liberdade de Expressão e Individual, estaremos avançando e contribuindo para atingirmos a sonhada Democracia Real.

* Artigo publicado originalmente em junho de 2014 no site e Jornal da ABI.