20.3.18

1- COORDENADOR CRIMINAL DO MPF DIZ QUE ASSASSINATO DE MARIELLE APONTA PARA ENVOLVIMENTO DE POLICIAIS; 2- ASSASSINOS DE MARIELLE ESCOLHERAM PONTO CEGO PARA ATIRAR, AFIRMA INVESTIGADOR

REDAÇÃO -


O coordenador criminal do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, o procurador José Maria Panoeiro, disse à BBC Brasil que uma análise inicial do assassinato da vereadora carioca do PSOL Marielle Franco aponta para o possível envolvimento de policiais ou agentes milicianos no crime.

Milícias são formadas principalmente por policiais militares, mas também por policiais civis, bombeiros e mesmo integrantes das Forças Armadas, explicou.

Marielle foi morta ao ter seu carro alvejado por pelo menos nove tiros, no Centro do Rio, após ela deixar um evento no bairro da Lapa. O motorista Anderson Pedro Gomes também acabou atingido e morreu, enquanto uma assessora que estava no carro teve ferimentos leves e sobreviveu.

Para Panoeiro, as informações de que o carro foi perseguido por outro, de onde partiram os disparos, e o fato de ela ter morrido com quatro tiros na cabeça tornam pouco prováveis as hipóteses de uma ação de traficantes ou assaltantes.

“A forma de organização do crime, o fato de a assessora não ter sido alvejada diretamente e o fato de o motorista ter levado um tiro por trás denota um certo grau de planejamento (da ação) que leva a colocar policiais como suspeitos da prática do delito”, afirmou.

Ele disse, porém, que outras hipóteses também precisam ser investigadas.

“Dentro de uma análise inicial soa pouco provável que, por exemplo, traficantes de drogas de uma determinada comunidade saíssem armados para seguir o carro de uma vereadora que sai de um evento à noite na Lapa. Mas não deve ser descartada essa hipótese porque, quando você investiga, você não descarta nenhuma possibilidade”, ressaltou. (…)
(via Terra)

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Assassinos de Marielle escolheram ponto cego para atirar, afirma investigador

Entre as dificuldades das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, está a falta de imagens do momento do crime. Os criminosos, diz a polícia, escolheram um ponto cego no trajeto da vereadora e executaram o crime em um local em que não existiam câmeras.

Boa parte das ruas do centro do Rio de Janeiro — Marielle foi assassinada no Estácio, na região central, 4 km depois de deixar um evento na Lapa– é coberta tanto por câmeras de segurança do município quanto por câmeras dos circuitos internos dos edifícios. O local escolhido pelos criminosos era um dos poucos pontos em que ação poderia ocorrer sem registro.

“Essas imagens seriam muito importantes. Dariam uma ideia precisa da dinâmica do crime. Você vê por aí como os assassinos são profissionais. A forma como a perseguição foi feita, a precisão nos tiros, na escolha do momento de interceptá-la e disparar”, diz um dos agentes que participam da investigação.

A Polícia Civil investiga se a munição usada no assassinato de Marielle e Anderson foi utilizada recentemente em outros crimes no Rio, segundo confirmou um dos agentes que participam da investigação.

As balas de calibre 9 mm encontradas ao lado dos corpos na última quarta-feira (14) são do lote UZZ-18, vendido à PF de Brasília em 2006. Caso tenham aparecido em algum outro crime no Estado, dizem os policiais, seria mais um possível caminho para encontrar os criminosos.

Imagens das câmeras de segurança próximas ao local do crime indicam que dois carros participaram da ação. (…)
(via Uol)