15.3.18

A "GUERRA DO RIO" VAI SER INTENSIFICADA

ALCYR CAVALCANTI -

Operação contra milícias na Baixada Fluminense.


A crescente violência urbana e os alarmantes altos índices de criminalidade a descrença na política de segurança  acabam por motivar falsas soluções, e sempre à margem da lei. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas-DRACO realiza nesta quarta feira dia 14/03/2018 uma grande operação contra milicianos que atuam em Mesquita na Baixada Fluminense. Grupos paramilitares  que se auto intitulam justiceiros agem ao arbítrio da lei em uma pretensa lei sob o argumento de combate à criminalidade devido á total ineficiência do aparelho repressivo de estado. A operação foi chefiada pelo delegado Alexandre Herdy que prendeu oito milicianos chefiados por Marcio Cunha conhecido como Zebu. Três policiais militares do 20  BPM estão presos e um miliciano de nome Daniel Alex Silva conhecido como Escobar está sendo procurado. O codinome deve ser em homenagem à Don Pablo Emílio Escobar Gavíria o "Barão da Droga" que reinou na Colômbia durante alguns anos.

As Milícias começaram há alguns anos em áreas afastadas, em especial na Baixada Fluminense e na localidade Rio das Pedras na Zona Oeste e agem à pretexto de proteger moradores, cobrando uma "taxa de proteção". Em alguns casos o Estado faz vista grossa em uma espécie de aliança cooperativa pontual sob a justificativa de diminuir os altos índices de violência. Em Mesquita além da "taxa de proteção" eles exploravam, a entrega de gás, venda de água, transporte alternativo, TV a cabo pirata (gatonet) e também praticam agiotagem a juros astronômicos. Vários homicídios também estão sob investigação e podem ter sido efetuados pelo grupo.

O crescimento das Milícias de forma acelerada foi devido à ineficiência de uma política de segurança totalmente equivocada, centrada unicamente no combate ao narcotráfico baseada no conceito "War on Drugs" originário do Governo Ronald Reagan aplicado inicialmente no Plano Colômbia tendo como laboratório as cidades de Medellin e Cali  e depois estendido a vários países, inclusive ao Brasil. Atualmente controlam mais de 250 localidades entre favelas, conjuntos habitacionais e mesmo alguns bairros. A classificação de determinadas áreas conforme a periculosidade em Zonas de Alerta levou a um cerco em determinadas favelas de maior densidade populacional, as Zonas Vermelhas, Amarelas ou Verdes conforme o critério adotado. O programa de pacificação adotado  nas UPPS adotou este critério que acabou tendo fracassado e está prestes a ser extinto. As Milicias  são formadas por policiais, ex-policiais, bombeiros e militares além de informantes policiais, os X-9.  Em algumas regiões os grupos de milicianos exploram também o comércio de venda de drogas, a varejo, em associação com os narcotraficantes.