8.3.18

A VELHA SENHORA HISTÓRIA É IMPLACÁVEL E MAIS UMA VEZ NOS MOSTRA DE ONDE VEM A NOSSA DESGRAÇA

ANDRÉ MOREAU -


O golpe de Estado de 2016 faz parte do velho plano imperialista que, ao longo dos séculos, foi imposto em diferentes épocas, desde as primeiras invasões, sempre objetivando controlar os recursos naturais e os cidadãos livres.

A análise do comunista revolucionário, Luiz Carlos Prestes, sobre a brecha da Constituição de 1988, criada com o Art. 142, antecedeu a desgraça vivenciada pelo Povo nesses tempos de golpe de Estado: “em nome da salvaguarda da Lei e da ordem pública, ou de sua ‘garantia’, estarão as Forças Armadas colocadas acima dos três poderes do Estado e, como ‘Poder Militar’ fático, podem, constitucionalmente, tanto depor o Presidente da República como dos três poderes”.

Os planos de desestabilização da América Latina a partir de ações militares para derrubada de presidentes progressistas visando colonizar do Continente, foram aperfeiçoados nesse milênio com a implantação das “democracias tuteladas”, pelos Estados Unidos, como as que vêm sendo implantadas na Colômbia, Argentina, Brasil e Equador.

As ações militares estadunidenses passaram a ser operadas por mercenários denominados “opositores” de supostos “ditadores”, nas narrativas dos meios de comunicação conservadores, visando ocultar a bandeira e os interesses econômicos dos Estados Unidos.

A maioria dos líderes políticos brasileiros, ditos progressistas, parecem perdidos, ou amedrontados diante da selvagem violência neoliberal em curso, reforçada pela intervenção militar no Estado do Rio de janeiro.

Os citados exercícios bélicos se desdobram na vertente “anti-crime organizado” da narrativa de ódio das Organizações Globo, mas ao contrário dos anúncios, indicam a tentativa de re-alinhar setores da classe média, que clamaram pela volta dos militares em atos de catarse pelas ruas, para derrubar a Presidenta Dilma Rousseff.

Por trás dessa cortina de fumaça, gradualmente o Rio foi transformado no palco do laboratório de guerra, visando treinar militares e aferir a reação da tão propalada “opinião pública”, sobre a narrativa “anti-crime organizado” que oculta a real intenção do poder.

Com o golpe de Estado no Brasil, a América Latina vem sendo transformada, por corporações de comunicação, num barril de pólvora, tentando justificar a falácia de que o grande mal que atinge o nosso Continente, é o tráfico de drogas.

Paralelamente a propaganda de terra arrasada, opera visando enfraquecer as resistências da República Bolivariana da Venezuela, enquanto se arma as condições mais favoráveis para uma invasão da região usando mercenários treinados por militares estadunidenses.

Cumpre ressaltar que a Venezuela, bem como a Bolívia, são países que lutaram pelo desenvolvimento humano e conseguiram manter suas riquezas preservadas, bem como suas respectivas soberanias nacionais, intactas da sanha imperialista.

O apoio do governo ilegítimo de Temer, ao plano de invasão da Venezuela, ocultado pelos meios de comunicação conservadores sob o argumento de que o Presidente Nicolás Maduro é um “ditador”, visa única e exclusivamente, defender os interesses econômicos dos EUA, especialmente os petroleiros.

Diante desse cenário, no qual o ilegítimo governo do Brasil, juntamente como os governos da Argentina e Colômbia, se aliam aos Estados Unidos, o que vemos é a derrocada da soberania dos países da América Latina que conseguiram, durante alguns anos, declarar as suas respectivas independências de gerenciamentos estrangeiros.

Quanto ao Brasil, no mar de retrocessos sociais desse ano eleitoral, acreditar nos afoitos líderes progressistas que falam dos meios, dos efeitos, nunca das causas do problema, é como acreditar que o Jeca Tatu de Monteiro Lobato era uma pessoa preguiçosa e não um homem vítima da verminose, por falta de saneamento básico.

Diante da militarização do Rio de Janeiro, como acreditar que as eleições de outubro de 2018 não serão fraudadas, caso venham a ocorrer?

*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.