16.3.18

ATENTADO À DEMOCRACIA

EUSÉBIO PINTO NETO -


A barbárie tomou conta do cenário político brasileiro nesta semana, mês que comemoramos a ‘Luta Internacional das Mulheres’. Em São Paulo a GCM e a Polícia Militar partiram pra cima dos servidores, uma professora foi covardemente agredida no rosto, apenas por protestar pacificamente contra o PL 621/2016, que aumenta o valor de contribuição previdenciária em até 19% para professores ativos e aposentados. No Rio de Janeiro, a execução da vereadora Marielle Franco do PSOL-RJ e do motorista, Anderson Pedro Gomes, provocou grande comoção e indignação coletiva por todo o Brasil, com enorme repercussão na imprensa internacional.

Os defensores dos direitos humanos, sindicalistas, movimentos sociais, todos que se esforçam cotidianamente para construir um futuro de igualdade, justiça e democracia sangraram junto com Marielle e Anderson, barbaramente assassinados. Foram nove disparos que se multiplicaram e atingiram a todas e todos nós, sem exceção.

Multidões se reuniram no Rio de Janeiro, São Paulo e em outras capitais para homenagear a vereadora. Ontem durante o ato pude observar dezenas de milhares, que se apertaram na Cinelândia com o objetivo de não apenas homenagear Marielle como também exigir o fim da intervenção federal no Estado do Rio. Nas diversas cidades onde ocorreram atos, vimos a demonstrações de que a execução de Marielle pode ter um efeito contrário ao que seus assassinos queriam. Ao invés de aterrorizar o povo, desmobilizar e impor o medo, eles podem ter aberto caminho para que aconteça a verdadeira mudança política e social nos rumos da Nação.

Hoje (16) está marcado outro grande protesto no Rio de Janeiro. O país inteiro devia fazer o mesmo, manter os protestos, ocupando permanentemente as praças e ruas. Precisamos nos manter vigilantes, promovendo manifestações e atos diariamente contra esse Estado perverso que só favorece o grande capital.

É chegado a hora do Movimento Sindical retomar as grandes mobilizações de rua. O assassinato de Marielle Franco aflorou a indignação, as manifestações já desafiam a intervenção militar no Rio. A força do povo nas ruas tornou-se um inesperado problema para o Governo de Michel Temer (MDB) e sua aposta em uma inédita intervenção federal como bandeira eleitoral. Sindicalistas, Frentistas e toda classe trabalhadora precisam estar presentes nas ruas questionando todas as ações antipovo e antitrabalhador, desse governo ilegítimo e lesa-pátria.

O interventor federal, general Walter Souza Braga Netto, a Polícia e por fim o presidente da República precisa responder por este emblemático crime político. A ousadia de executar uma promissora líder em pleno centro do Rio sinaliza que seus autores decidiram enviar uma perigosa mensagem. Temer sofre pressão de organismos internacionais, nossa democracia segue ameaçada. Exigimos uma rápida e profunda investigação sobre o covarde crime. O ataque à vida de Marielle é um ataque à democracia.

* Eusébio Luis Pinto Neto - Presidente da FENEPOSPETRO e do SINPOSPETRO-RJ