16.3.18

DOR, INDIGNAÇÃO E REVOLTA PELO ASSASSINATO DA VEREADORA MARIELLE FRANCO [VÍDEO]

ANA CLARA SALLES -


Nesta quarta-feira (14), as 21h30, a vereadora Marielle Franco foi assassinada com três tiros na cabeça, o motorista que a acompanhava, Anderson Gomes, também faleceu. Mulher, negra, lésbica e da favela da Maré, Marielle mobilizou o início de sua vida política com medidas sociais ligadas a direitos humanos na comunidade da Maré, formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio e posteriormente mestra em Administração Pública pela UFF. Em 2006 se integrou no PSOL participando da equipe de campanha que elegeu o deputado Marcelo Freixo, foi nomeada assessora do parlamentar.

Seguindo sua trajetória assumiu a coordenação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mantendo seu foco em áreas periféricas do Rio de Janeiro abandonadas, sem políticas públicas, infraestrutura e suporte do Estado.

Anderson Gomes, que dirigia o carro da vereadora, era motorista de UBER e trabalhava provisoriamente neste cargo. Tinha 39 anos, deixa uma companheira e um filho de 1 ano de idade. Seu corpo também foi velado na Câmara dos Vereadores, depois levado e sepultado no Cemitério de Inhaúma.

Logo após o bárbaro assassinato de Marielle, ocorreu grande mobilização da sociedade, nesta quinta-feira (15) ao longo do dia houve manifestações em várias partes do mundo em homenagem à grande mulher que a política brasileira (majoritariamente formada por homens) perdeu, deixando um grande legado para a juventude preta das favelas.

Às 11 horas da manhã aconteceu o velório na Câmara de Vereadores na Cinelândia, que moveu um grande cordão de mulheres (principalmente negras), unidas para receber o caixão. Na ALERJ, por volta das 17h, dezenas de milhares de pessoas unidas seguiram manifestando e exigindo apuração rigorosa por essas mortes tão significativas (assim como as mortes diárias da população negra de periferia), principalmente pelas circunstâncias tão suspeitas, já que a vereadora havia denunciado recentemente violações de direitos humanos em ações policiais.

O ato seguiu até a Candelária e terminou na Cinelândia, no final da noite. O silêncio quase que constante dos manifestantes ao longo do ato revelou a profunda dor do luto pelo sangue derramado das mulheres pretas e faveladas. Nada será resolvido através dessa pseudo democracia. A luta segue e a revolução será feminista.