20.3.18

EXECUÇÃO DE MARIELLE É UM CLARO DESAFIO ÀS AUTORIDADES

ALCYR CAVALCANTI -


A vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram executados na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, na Zona Central da cidade em uma quarta feira às 21 horas. Ela havia saído de uma palestra na Casa das Pretas e seria homenageada na ALERJ onde iria proferir discurso entre as solenidades  para comemorar o Mês da Mulher. Após um mês da intervenção militar na área da segurança no Estado, em especial na cidade do Rio de Janeiro, o atentado soa como um claro desafio aos interventores. Marielle havia feito graduação na PUC e mestrado na Universidade Federal Fluminense, um grande feito para uma negra,  moradora da Favela da Maré. Foi eleita por expressiva votação pelo PSOL e exercia seu primeiro mandato.  O Ministro Raul Jungmann fez declarações que não tem sido confirmadas a respeito da munição da pistola utilizada na execução. Acusou frontalmente um agente da Policia Federal sem provas concretas e foi obrigado a mudar seu discurso. Protestos se espalharam por toda a cidade, e se irradiaram por todo país. O Alto Comissariado da ONU emitiu documento onde exige apuração imediata e punição exemplar para os culpados, pelo ato que se assemelha à barbárie. A porta voz da ONU Liz Throssel disse ser "profundamente chocante"o atentado que vitimou uma defensora incondicional do Direitos Humanos.

Uma série de atos de violência tem se espalhado por toda a cidade como uma clara provocação aos interventores na área da segurança. Notícias falsas (fakes) que se espalharam pela internet como a da desembargadora Marília Castro Neves  e de um deputado são totalmente irresponsáveis e merecem uma punição exemplar. A velha tática de criminalizar a vítima já foi usada muitas vezes e merece severo julgamento. Pessoas inconsequentes tem usado o velho e perigoso discurso da radicalização, como no caso acontecido no bar Bip Bip, em que seu dono ao homenagear com minuto de silêncio Marielle acabou sendo conduzido a uma delegacia, após uma discussão entre os frequentadores e um policial federal que ainda usou arma para intimidar as pessoas e ainda resistiu à voz de prisão dada por um oficial da PM.

Para muitos analistas da segurança e cientistas sociais a intervenção que para o presidente teria sido "Um Golpe de Mestre"foi feita de maneira imprudente, sem um estudo apurado em problema de  grande complexidade. Os  discursos do presidente Temer com seu gestual exótico e as declarações do Ministro Raul Jungmann no recém criado Ministério da Segurança não tem surtido o efeito necessário e tem colocado  não só o presidente, mas também seu auxiliar em total descrédito e soam como fanfarronices, palavras ao vento. O perigo real e imediato é colocar uma instituição como o Exército e também as Forças Armadas totalmente desacreditadas. Até os dias de hoje são das poucas instituições a ter grande credibilidade, perante a sofrida população brasileira. Se isto acontecer a cultura do descrédito vai prevalecer, infelizmente.