7.3.18

GREVE

MIRANDA SÁ -

“Vejo o direito à greve essencial numa democracia e, por isso mesmo, contesto a sua banalização” (Miguel Sousa Tavares).


Impressiona-me a convocação de uma greve por juízes. Para mal, uma verdadeira execração, não se trata de um movimento a favor da Justiça, mas em favor de privilégios corporativos que os beneficia.

Enquanto os dicionários registram o verbete “greve” como substantivo feminino, exprimindo a recusa coletiva do trabalho exigindo o cumprimento dos direitos trabalhistas, melhoria de condições de produção, para evitar a perda de benefícios e até para obter novos benefícios.

A História capitula que a palavra vem do francês grève, relacionada à Place de Grève, em Paris, que, próxima ao porto do Rio Sena, era o local onde se reuniam estivadores e trabalhadores para discutir as condições de trabalho, como também de desempregados.

Inspirados por anarco-sindicalistas, ali nasceram os movimentos reivindicatórios de paralização do trabalho, aguardando o atendimento total ou parcial dos patrões, que se não viesse, eram interrompidos para evitar punições.

É evidente que a cessação do cumprimento da Justiça não se enquadra na definição nem na história das greves pelo mundo afora. Até por que os magistrados e afins fazem parte da elite bem remunerada do funcionalismo público.

Quando estudante de Direito, ouvi uma piada da turma de esquerda (não era essa esquerda populista de hoje) que punha na boca do líder soviético Wladimir Lênin a frase “Advogados, nem os do partido…”. E se registrava que ele, Lênin, era advogado…

No Brasil cartorial, desde sempre, arrasta os grilhões do bacharelismo e a magistratura sempre foi privilegiada. No Império e na República a administração pública sempre criou vagas para advogados, como um estribo de bonde, onde há sempre lugar para mais um…

Voltando à greve dos juízes, lembro que nunca passou pela cabeça pelo menos de um deles, fazer greve nos governos narcopopulistas do PT e seus puxadinhos. A ausência dessas paralisações se estendia também a todo movimento sindical, que cumpriu a uma antiga determinação doutrinária.

Veja-se que a ocorrência de greves sempre foi e ainda é desconhecida nos países comunistas, principalmente os que vivem sob regime ditatorial. Está nos manuais do Partido a proibição, amenizada pela novilíngua “se fizerem greves, os trabalhadores o farão contra si mesmos”. Isto está escrito, com todas as letras, no “Dicionário do Pensamento Marxista” de Bottomore.

Para que servem, então, os sindicatos no sistema comunista? Nós vimos com tristeza e revolta o que ocorreu nos governos lulopetistas: essas entidades se multiplicaram por 10 mil para servirem aos pelegos de caça-níqueis e trampolins eleitorais, desde que cumprissem as tarefas do PT.

A reforma trabalhista recente, felizmente, acabou com a famigerada contribuição fascista para os sindicatos, cortando a subvenção que atendia aos privilégios dos grupelhos que dominam o movimento sindical.

No caso que nos chama atenção atualmente, a greve dos juízes, faremos uma alerta estendida aos advogados que controlam a OAB. comprometidos partidariamente: Não apequenem a Justiça; os primeiros obrigam-se a respeitá-la; quanto aos outros, preservem-na como a galinha dos ovos de ouro…