21.3.18

HERÓI

MIRANDA SÁ -

“Antigamente canonizávamos nossos heróis. O método moderno é vulgarizá-los”. (Oscar Wilde)


A minha geração familiar recebeu dos avoengos as lições básicas de respeito à evolução natural que chamamos a Lei da Vida, sem qualquer tipo de coerção. Fluíam esses ensinamentos no rito de passagem de pais para filhos, sem que nos déssemos conta disso.

Eu, minha irmã e primos (mais de vinte) aprendemos em casa o amor pela Pátria e o orgulho pelos heróis que a construíram e nos legaram. Adoto por princípio até hoje estes ensinamentos, até por capricho; conheci muitos países e convivi com outros povos, e me convenci de que o que foi bom para os ancestrais será para as próximas gerações.

Cresceu, porém, no século passado, a visão negativista de que Pátria e herói são coisas abstratas; e como esta ideia insensata veio embrulhada junto à utopia do coletivismo e da igualdade, num pacote envolvido de papel celofane colorido enfeitado de fitas, convenceu a fração social dos medíocres alguns até dom títulos acadêmicos!

Estes pobres de espírito, seguidores da banalização da Pátria e dos heróis, fazem de tudo para o triunfo desta idiotice: polarizam a política entre direita e esquerda, dividem a sociedade entre brancos e negros, atiçam rivalidades religiosas, incentivam o desrespeito às leis e até mudam o significado das palavras…

O desvirtuamento da língua que Rui Barbosa tanto criticava mostrando-o como sinal da degeneração de uma nação ouvimos de suas bocas e lemos nos seus escritos.

“Herói” é uma pessoa audaciosa, corajosa, destemida, notável, ousada, valente…  O verbete dicionarizado é um substantivo masculino, com versão feminina, “heroína”. Sua origem é grega, “heros”, que adotada no Latim por Virgílio, é Hërös.

Vem de tempos muito antigos a veneração e o respeito aos heróis. As diversas mitologias reverenciam os heróis como um mortal divinizado por ser filho de um deus ou uma deusa com um ser humano. Era considerado um semideus.

Transmitida através dos séculos a referência aos heróis, criou-se nos corações e mentes dos brasileiros nascidos de pai e mãe, não de chocadeira, a memória e o culto dos nossos heróis, a partir dos tiveram um papel fundamental na nossa formação, o branco, o índio e o negro representados por André Vidal de Negreiros, Filipe Camarão e Henrique Dias, resistentes ao domínio das Companhia das Índias Ocidentais.

São também inesquecíveis as heroínas Anita Garibaldi, Bárbara Heliodora, Branca Dias, Dandara dos Palmares, Joana Angélica, Maria Quitéria e Nísia Floresta. Guardamos na memória Cândido Rondon, Caxias, Frei Caneca, Osório e Tiradentes…

Estes heróis e estas heroínas dedicaram-se a defender a integridade territorial do Brasil e o interesse nacional, mantendo a ética, a decência e a moral, palavras que não constam dos manuais do lulopetismo, transformador de assaltantes do erário em heróis do PT e seus puxadinhos.

Os tempos modernos trouxeram novas definições protagônicas de heróis na literatura, no teatro, no cinema; dos quadrinhos surgiram super-heróis, personagens fictícios, e dos desenhos animados, heróis animais…

Mas nos entristece ver que há brasileiros – felizmente um grupo cada vez mais diminuto – que deturpa o verdadeiro conceito de herói, infamando-o e desonrando-o ao cultuar como tal o corrupto Lula da Silva condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Esta ignomínia nos leva a Castro Alves, no seu “Navio Negreiro” – “(…)é infâmia demais! … Da etérea plaga / Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! / Andrada! Arranca esse pendão dos ares! / Colombo! Fecha a porta dos teus mares! ”