7.3.18

O POVO AGUARDA QUE OS MARINHO SE CONDUZAM PARA A CASA VERDE

ANDRÉ MOREAU -



Os experimentos cibernéticos de comunicação e controle feitos pelas Organizações Globo, são cada vez mais óbvios, inclusive para setores da classe média que apoiaram o impeachment, sem mérito, da Presidenta Dilma Rousseff.

Esses experimentos visam aferir a reação junto a “opinião pública”, do grau de banalização de medidas como, por exemplo, das Forças Armadas administrarem o Estado brasileiro, narrativa que vem sendo desdobrada na série de O Globo, “Força máxima”.

A estratégia se liga à técnica de convencimento colocada em prática em 1962, através do Departamento de Propaganda e Cinema do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), dirigido por Irineu Marinho, juntamente com Jean Manzon, que produziram vinte e quatro filmes, visando satanizar o Presidente João Goulart como o vermelho que ameaçava a nação, mesmo sem que Jango fosse comunista.

As mentiras repedidas nas salas de cinema de todo país e praças públicas do interior, onde os filmes eram projetados em telas improvisadas com lençóis, banalizaram no imaginário coletivo a idéia de que a única chance de acabar com as mazelas do país seria retirar do poder o seu representante legítimo através de um golpe de estado que ocorreu em 1964.

A narrativa acirrada a partir de 2013, incorpora a insatisfação da população com o aumento em R$ 0,25 centavos do preço das passagens de ônibus, visando promover argumento semelhante: de que o mercado voltaria a ter crédito e em uma semana todos os problemas seriam resolvidos. O impeachment, sem mérito, da Presidenta Dilma Rousseff, foi levado a cabo dessa forma.

Na edição de O Globo do dia 6 a questão da Defesa ser comandada por um militar, é novamente abordada em um dos textos da série “Força máxima”, que questiona o suposto fato do ilegítimo Michel Temer estar “convencido” de que a Defesa deve ter um civil no comando.

Apesar “da pressão das Forças Armadas” que defendem a manutenção do general Joaquim Silva e Luna, no posto de Ministro da Defesa, o ilegítimo não teria se “comovido”. O texto reúne em poucas linhas elementos básicos do suposto conflito: o bem do mercado contra a má administração pública que não conseguiu aprovar a “reforma” da Previdência Social.

A opinião do comandante da Marinha, Almirante Eduardo Bacelar Leal Ferreira, que defende a permanência do general como Ministro da Defesa, representa o bem concluído que: “(...) Nos Estados Unidos”, por exemplo, o atual ministro da Defesa, é um fuzileiro naval de carreira”.

A opinião do comandante do Exército, General Villas Boas, que pelo Twitter se insere do mesmo lado, ratificando: “Os argumentos do almirante Leal Ferreira são consistentes e desprovidos de ideologia. Associo-me a eles”.

Segundo os autores do texto que não trata da correlação de forças visando desviar a atenção dos leitores do fato de que o ilegítimo se encontrar “pendurado”, no que poderia ser o seu último ano de imunidade parlamentar - caso não siga as ordens da narrativa: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, cunhada nos anos de chumbo, na redação de O Globo.

A idéia de que o “presidente da República, porém, não teria se comovido com os apelos dos comandantes”, nos remete ao conto de Machado de Assis, “A Casa Verde”, isto porque o lúcido que trancafia a todos por loucura, acaba ao final, encarcerando a si próprio.

“Um auxiliar de Temer”, é assim que é descrita a suposta fonte do governo, tem uma fala no final do texto. A tentativa é sustentar o conflito, dizendo que Temer não quer mexer na essência do Ministério da Defesa, criado em 1999 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, pasta que sempre foi chefiada por um civil.

E aí nos encontramos em uma encruzilhada: Fernando Henrique Cardoso, conseguiu mudar as regras constitucionais, para se manter na presidência. E Temer, como vai manter seu fórum privilegiado?

*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.