26.3.18

O QUE OS GOLPISTAS PROMOVEM COMO VERDADES NÃO PASSAM DE NOTICIAS FALSAS

ANDRÉ MOREAU -


A tropa da força tarefa que conduz a “operação de mudança do regime de governo”, foi mobilizada para linchar ministros do Supremo Tribunal Federal (FTF), que conheceram o Habeas Corpus do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será julgado no próximo dia 4.

Desde “informantes não oficiais¹” aos empresários que comandam o consórcio de jornais impressos, concessionários de rádios e canais de televisão que ocupam espaços cada vez maiores na grande rede, até os membros dos setores parlamentar e judiciário, todos estão empenhados nessa fase decisiva do golpe de estado. 

Nessa fase os responsáveis pela narrativa de ódio acirrada a partir de 2013, a mesma que promoveu a prisão em segunda instância como remédio jurídico “anti-corrupção”, que vem cumprindo a tarefa de destruir adversários políticos, são cobrados a impor o fascismo na América Latina, que prevê a invasão da Venezuela e deverá tragar até mesmo antigos aliados da direita que usam o STF como trincheira. 

Cumpre ressaltar que o marco desse estágio de insegurança jurídica foi imposto na Ação Penal 470, que por falta de provas contra os adversários políticos, José Dirceu e José Genuíno, ambos do PT, importou da Alemanha, a “Teoria do Domínio do Fato”, desenvolvida por Claus Roxin - pensada para julgar nazistas a partir do testemunho de sobreviventes dos extermínios em massa nos campos de concentração -, implantada no ordenamento jurídico brasileiro, apesar das criticas do próprio Roxin, que veio ao Brasil para dizer que sua teoria não foi criada para ser usada em democracias. 

Desde então a Constituição ficou vulnerável à narrativa “anti-corrupção”, que terminou de ser alicerçada em 2016 com a distorção da cláusula pétrea prevista no Art. 5º - § 57, permitindo a prisão em segunda instância, por justiceiros que ocupam cargos de promotores e juízes, responsáveis por acusações e sentenças carregadas de convicções, mas sem provas materiais. 

A “operação” acirrada a partir de 2013, no JN, além de derrubar a Presidenta Dilma Rousseff, com um processo de impeachment, sem prova do crime de responsabilidade, usando a denominação “pedaladas”, forjada por agente do Tribunal de Contas da União, no Fundo Monetário Internacional (FMI), impôs mecanismos de investigação visando favorecer os Estados Unidos, em detrimento de estatais como a Petrobrás, Eletro Nuclear e Eletrobrás. 

A falta de argumentos sobre as medidas que atingem frontalmente a Constituição de 1988 e subtraem direitos, revelou na seção plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), que conheceu o "Habeas Corpus" (direito ao corpo), impetrado pelos advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como funciona o Poder Judiciário, no Brasil, que sempre favoreceu amigos políticos e empresários de transnacionais, em detrimento do Povo. 

O interesse em implantar no Brasil, Argentina, Peru, Chile e Colômbia, o modelo de segurança da Doutrina Monroe, criada por ingleses nos Estados Unidos, prevê a ação de “conquista” da América, visando submeter as riquezas naturais, aos interesses dos estadunidenses, no plano de poder continental e mundial. 

A “operação” recentemente deflagrada na Inglaterra, de satanização do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, como “responsável pelo envenenamento do ex-agente da KGB Sergei Skripal e a sua filha, Yulia”, aponta o mesmo “modus operandi” e direção: naturalizar ameaças de guerra, para a Inglaterra, os EUA e outros países ligados a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), enfraquecerem Putin e  lucrarem com a venda de armas e quem sabe, a reconstrução de cidades destruídas e o assalto às riquezas naturais. 

Por isso devemos sempre nos perguntar diante das imponderáveis narrativas “anti-corrupção”, “anti-crime organizado” e “anti-terrorismo”: quem são os verdadeiros terroristas? 

Qual a diferença entre a satanização do Presidente Putin e o argumento das armas químicas de destruição em massa que deu origem a narrativa de mentiras repetidas contra o Presidente Saddam Hussein? 

Quais os limites dessas sanhas de pilhagem das riquezas naturais de regiões que não se submetem ao esquema da economia global?

Voltando ao golpe de estado brasileiro: o que pretendem os parlamentares brasileiros, ditos de esquerda, que ignoram os impactos desse processo de violências que atinge os mais pobres? 
Apenas tentar a reeleição?

Como acreditar em eleições, caso ocorram, se as urnas de primeira geração que serão usadas, são as mesmas que foram emprestadas para fraudar o pleito de Honduras? 

Como acreditar em ministros do STF que no lugar de trabalhar como guardiões da Constituição, a rasgaram para legislar sem terem sido eleitos pelo Povo, permitindo que setores do judiciário transgredissem a citada cláusula pétrea? 

Só a partir dessas premissas é possível pensar com lógica sobre a complexa “operação” promovida através do citado consórcio, que usa choques idênticos aos aplicados no Chile, durante a ditadura do General Augusto Pinochet e na extinta União Soviética, golpes operados sob orientação dos Chicago Boys, com base na “Teoria de Choques” do economista Milton Friedman: implantar as mudanças dos regimes de governo, com velocidade e em meio a choques físicos e midiáticos que geram um misto de medo e segurança, visando dificultar mobilizações populares, enquanto os adversários políticos de esquerda, são derrubados. 

A diferença, é que agora, os consórcios desse tipo de “operação”, que antecedem as guerras, contam com a tecnologia informática no controle das massas, inclusive nos “golpes brandos” como dizem aqueles que não querem aceitar a violência do golpe de estado no Brasil, que além de tratar o ex-Presidente Lula como “(...) o chefe da organização criminosa denominada PT”, incriminando a metade da população, inocula entre os incautos, as seguintes mentiras: 

1. A execução da Vereadora Marielle Franco, não foi um crime político. 

2. A falta de água que foi discutida em Brasília, se deve a falta de educação do Povo e não ao uso indiscriminado de agrotóxicos no agronegócio, que provocam a contaminação das fontes de água e eliminam vetores naturais dos mosquitos que geram tantas doenças.

Sem mobilizações de massa dos trabalhadores organizados, contra essa onda golpista, orquestrada ao estilo do propagandista de Hitler, o nazista Joseph Goebbels, autor da máxima: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, fica cada vez mais distante a possibilidade de conter essa escalada de crimes contra a humanidade. 

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1. Denominação dos agentes da CIA para tratar "jornalistas" que colaboram com a "operação"

*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.