22.3.18

PRESIDENTE TEMER FAZ PRONUNCIAMENTO NO RIO, MAS DIZ MUITO POUCO [VÍDEO]

ROGER MCNAUGHT -


Rio de Janeiro - Na noite desta quarta-feira, 21 de março de 2018, o presidente Michel Temer reuniu a imprensa para um pronunciamento acerca das medidas de segurança adotadas na intervenção federal e os pedidos por mais verba para as ações militares no estado.

Após uma espera de horas, os profissionais de imprensa presentes foram notificados de que não seriam permitidas perguntas, o que por si só já demonstrou o caráter pouco informativo da coletiva. O (des)presidente se reuniu com o (des)governador Pezão, os ministros da Segurança Pública, Raul Jungmann; da Defesa, general Joaquim Silva e Luna; do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen; e o interventor na segurança do Rio, general Walter Braga Netto e após o fim da reunião o (des)presidente se dirigiu junto com alguns dos citados para o local onde a imprensa o aguardava no Centro Integrado de Comando e Controle.

Foi anunciada oficialmente a liberação de 1 bilhão para a segurança pública, embora o general Braga Netto tenha se pronunciado na segunda-feira (19) sobre a necessidade de um montante de 3,1 bilhões para as operações planejadas.

A intervenção federal contudo não tem apresentado os efeitos desejados pela sociedade. A sensação de insegurança devido às políticas de confronto ineficazes só fez aumentar desde o início oficial das ações conjuntas. Em pleno centro do Rio crimes são cometidos, ceifando vidas inclusive de parlamentares, como no caso da vereadora Marielle Franco, assassinada covardemente na última semana. Uma vez que planos de segurança baseados em confronto direto vem sendo aplicados continuamente com orçamentos cada vez maiores e sem apresentar melhora significativa nos indicadores, fica óbvio que este não é o caminho da solução do clima de guerra urbana instalado no Rio de Janeiro.

Durante o pronunciamento, o (des)presidente mencionou de forma genérica ações sociais promovidas desde o início da intervenção, porém mesmo assinalando a importância das mesmas não exemplificou ou mesmo apresentou planejamento para a expansão de ações que realmente poderiam fazer a diferença neste clima de caos e insegurança social que vem vitimando a população mais pobre do Rio de Janeiro.

O curioso foi que pouco tempo antes do pronunciamento um violento tiroteio abalou a favela da Rocinha, vitimando um morador idoso e um policial e o fato sequer foi mencionado durante a coletiva. O “apagão” que afetou grande parte do país também não foi comentado, mesmo tendo causado transtornos inimagináveis à população.

Após a rápida fala que continha de fato pouca informação, o presidente e seus ministros se retiraram do local. Voltam à Brasília enquanto a população do Rio fica abandonada à própria sorte.