24.4.18

DESRESPEITO A INDÍGENAS CONTINUA: JUDICIÁRIO SE OMITE E PODER PÚBLICO SE AUSENTA [VÍDEO]

ANA CLARA SALLES -


As comunidades indígenas resistem e lutam contra o genocídio de sua cultura. A comunidade indígena Aldeia Maracanã é um grande exemplo desse processo de resistência no Rio de Janeiro. Situada no bairro do Maracanã, é uma aldeia indígena urbana localizada no prédio do antigo do Museu do Índio, corre o constante risco de demolição e retirada da comunidade de diversas etnias que ocupa o local. Após a primeira ocupação que aconteceu em 2006, uma parte dos indígenas aceitou acordo para aderir ao "minha casa minha vida", ou seja, o Estado com um projeto de desocupação daquela área dividiu a luta, deixando aqueles indígenas que permaneceram na aldeia enfraquecidos, culminando na retirada do muro que protegia o local, levando a atual situação de insegurança e ataques.

A professora, ativista e indígena Mônica Lima esclareceu várias questões sobre a realidade da resistência e luta dessas comunidades. Ela mesma é um grande exemplo dessa resistência atuando ativamente na aldeia e ainda contra as agressões do Estado. Mônica foi vítima em abril do ano passado de dois agentes da Guarda Municipal do Rio de Janeiro que, agindo da clássica forma sanguinária e truculenta, quebraram a tíbia e a fíbula da professora enquanto ela filmava o ato contra a Reforma da Previdência e Trabalhista. Há um ano, foram abertos processos cível e criminal, sendo que não houve notícias do processo criminal desde então.   Este é o absurdo que vivemos, uma professora indígena é agredida pelo Estado misógino, patriarcal e genocida que esteve sempre nas raízes da história do Brasil e nada de providências por parte do judiciário.

A Aldeia Maracanã, como projeto de resistência sofre severos problemas em seu território. O prédio se encontra em um estado desprovido de estrutura, sendo tombado precisa de restauração, mas com a ineficiência do estado em questões de minorias sociais isso só será efetivado com muita luta e resistência, não foi transformado em um estacionamento pelo governo (que era o projeto de Cabral) por essa mesma luta. O prédio e o terreno se encontram na mão de um grupo de resistência, que da vida ao local com ações de reflorestamento, que gera inclusive alimentação para a aldeia, fruto do manejo e plantio.

Outra pauta de extrema importância para a comunidade é a Universidade Indígena, que é um projeto de resgate e conservação da cultura indígena. Isso engloba uma questão de extrema importância para a continuidade dessas culturas que sofreram um processo de genocídio e apagamento de sua história. O resgate dessa história, principalmente com a representatividade dos indígenas, é essencial para a valorização das vidas e a sobrevivência, e para a mudança dessa sociedade que infelizmente desrespeita o território, o sangue, a ancestralidade, a cultura, e o imaginário indígena no Brasil.

Lutar por espaços autônomos e pela universidade significa uma pluralidade que engloba os povos originários e tradicionais, e o não perecimento dessa cultura tão ampla e desrespeitada.