16.4.18

MAR DE LAMA

MIRANDA SÁ -

“A água que não corre forma um pântano; a mente que não trabalha forma um tolo”. (Victor Hugo)


Quando do meu ingresso na faculdade, em 1954, a oposição a Getúlio Vargas atingia o auge com o seu líder, Carlos Lacerda, usando pela primeira vez e com muita habilidade a televisão, repetia o slogan “Vamos acabar com o Mar de Lama”, referindo-se às denúncias de corrupção no governo.

Paradoxalmente a expressão “Mar de Lama” foi do próprio Vargas, que o exclamou ao saber das transações ilícitas na administração pública e das maracutaias praticadas pelo seu guarda-costas Gregório Fortunato, chefe da guarda presidencial.

Estes fatos me chegam à lembrança por ter os olhos e a mente voltados para a sordidez implantada no País nos 14 anos de governo de Lula, preso em Curitiba graças à independência do Ministério Público Federal, à ação eficaz da Polícia Federal e ao juiz Sergio Moro.

É extenso o uso da palavra Lama, dicionarizada como substantivo feminino, que significa mistura heterogênea de terra e água; e no sentido figurado representando tudo que é vil e causa asco, sarjeta, degradação, indignidade.

Lembro-me de uma alocução do visionário Enéas Carneiro referindo-se ao Poder Legislativo, já na sua época dominado por quadrilhas de picaretas. Disse Enéas: “Miasmas pútridos emanam no Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia”.

Batizada de Operação Mar de Lama, a PF nas Minas Gerais realizou uma ação de combate ao crime organizado. E, no mesmo Estado (onde evocamos Tiradentes e repudiamos o atual governador, corrupto e corruptor), fez-se uma campanha “Mar de Lama Nunca Mais” para criminalizar barragens como a da empresa Samarco que infelicitou Mariana e região, com danos ambientais, sociais e econômicos.

Com a mesma referência tivemos recentemente as palavras do general Rocha Paiva ao dizer que “O lodaçal da vergonha onde lançaram o país vem sendo dragado pela Lava-Jato. A nação passou a ver com clareza a degradação moral e ética das lideranças no Executivo e no Legislativo e, hoje, também a percebe na mais alta Corte de Justiça”.

Esta comunicação do militar brasileiro fotografa a realidade. Herdado da Era Lulista a lamacenta ignomínia veio para afogar as instituições republicanas, acovardadas, no pântano dos costumes apodrecidos.

Não dá para esquecer que o PT e seus puxadinhos no poder nadaram na lama da inconsequência, da irresponsabilidade e das propinas que enriqueceu os dirigentes partidários e elegeu pelegos analfabetos nos estados e por duas vezes na presidência a trapalhona Dilma Rousseff.

A miniatura do mapa oceanográfico da lama está desenhada no entorno da PF em Curitiba, no acampamento lulopetista, uma espécie de cracolândia ideológica, Ali se cultua Lula, chefe da organização criminosa. Mergulhados na latrina bolivariana e sem papel higiênico, os atoleimados acham natural insultar e agredir os que não pensam como eles.

… E o Pelego adorado nessa poça de lama que envergonha e revolta a capital paranaense, responde ainda por mais seis processos que vão da obstrução da Justiça até a práticas nada republicanas no exercício da presidência.

Este lamaçal de baixeza, desonra e infâmia tem, felizmente, os seus dias contados, pela reação de uma corrente de ministros togados que não se vendem nem se trocam, levantando-se contra as tentativas de distorcer e usar a Constituição para implantar o Reino da Impunidade.

O grupo que entra de sapatos enlameados pela politicagem no recinto solene do STF embora ruidoso, é medíocre e pequeno; transcende a “caranguejos” pelo cheiro característico da lama e, como os crustáceos do manguezal, só andam para trás…