24.4.18

UM VALORSO JORNALISTA QUE COMBATEU O BOM COMBATE CONTINUARÁ SEMPRE PRESENTE

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -

Miro Teixeira, Daniel Mazola e o sempre presente Fernando Paulino / Foto: Iluska Lopes.
Depois de ser informado sobre a passagem do grande João Luiz Duboc Pinaud, recebemos outra triste notícia do falecimento do também valoroso e combatente das boas causas, o jornalista Fernando Paulino, que integrou a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SJPERJ), onde ele sempre colocava questões importantes, seja em termos da conjuntura nacional, seja na defesa da categoria.

Polêmico, como acontece com quem defende as causas justas, Fernando Paulino sempre foi um exemplo a ser seguido por jornalistas dispostos a combater o bom combate, tão necessário nos dias atuais que atravessa o país, sobretudo depois do golpe iniciado em abril de 2016 e que colocou no poder, claro que de forma ilegítima, o atual ocupante do Palácio do Planalto, mais conhecido hoje como lesa pátria Michel Temer. Essa observação é relevante, até porque onde participava, Fernando Paulino sempre lembrava desse fato.

Fernando Paulino decidiu também reforçar a luta dos integrantes da chapa Villa-Lobos para fazer Associação Brasileira de Imprensa (ABI) voltar a ser uma entidade com protagonismo nacional, como ocorria nas gestões dos presidentes Maurício Azêdo e Barbosa Lima Sobrinho. Por isso, Fernando sempre denunciava como o atual presidente da ABI, Domingos Meirelles agia e, como principal responsável, e fazia a entidade dos jornalistas se transformar em uma mera correia de transmissão do patronato midiático conservador.

Para falar de Fernando Paulino, é preciso assinalar também que com a sua vasta experiência sindical, sempre orientava a diretoria do SJPERJ a como proceder nas conversações que visavam a valorização profissional dos jornalistas. Nesse sentido, Fernando Paulino sempre esteve presente e se eventualmente faltasse, o que não acontecia, resultaria em um vácuo que prejudicaria os interesses da categoria. Em suma, a defesa dos interesses profissionais dos jornalistas tinha em Fernando Paulino um fator essencial nas conversações com o patronato na hora de valorizar o trabalho da categoria por ocasião das negociações salariais.

Nos últimos tempos, em virtude de problemas de saúde decorrentes de diabete, Fernando Paulino teve de fazer cirurgia de amputação dos dedos do pé. Apresentava então um quadro de depressão, que preocupava a todos os amigos. De acordo com companheiros que conhecem por experiência própria tais anomalias, uma depressão decorrente da rejeição por ser um “novo deficiente”, ou seja, ter se deparado com a discriminação, inclusive profissional, depois de já ter os rumos da vida estabelecidos.

Mas mesmo assim não fugia a luta, ou seja, continuava a defender os ideais que sempre defendeu ao longo da vida. Para honrar a memória de Fernando Paulino é preciso que quem o faça também combata o bom combate e continue a defender os mesmos valores que ele defendeu ao longo da vida. Assim procedendo estaremos sempre lembrando e homenageando o valoroso e imprescindível jornalista que continuará sempre entre nós.

Ou seja, Fernando Paulino, presente!

Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente na Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói.

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Confira dois artigos do jornalista Fernando Paulino publicados nessa TRIBUNA DA IMPRENSA SINDICAL:

O QUE É MELHOR PARA NITERÓI: UMA GUARDA ARMADA OU TRANSPORTE GRATUITO?

VALE O NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO?