13.5.18

A NARRATIVA “ANTI-CORRUPÇÃO” USADA NA TENTATIVA DE CAMUFLAR O GOLPE DE ESTADO CHANCELADO PELO STF

ANDRÉ MOREAU -


A desclassificação do documento da Central de Inteligência Americana (CIA), sobre as ordens dos ditadores Geisel e Figueiredo, para executar estudantes e trabalhadores que lutaram contra o golpe empresarial/militar de 1º de abril de 1964, passou a ser usado como propaganda ao estilo “falem mal, mas não deixem de falar de mim”.

Abrandando as perseguições, seqüestros, torturas, assassinatos e desaparecimentos ocorridos em uma das mais longas ditaduras da América Latina, o editorial de O Globo (12), indica em tom de ameaça ao tratar do documento da CIA, que o plano dos golpistas, caso o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, venha a participar do pleito de 7 de outubro, é impedir a ditadura dos governos Lula / Dilma, mesmo que para isso tenham que impor o retorno aos tempos “democráticos” de Geisel e Figueiredo.

O que não se fala é que a nefasta ditadura se estendeu até o final da década de 80 - se é que acabou algum dia e os governos do PT não foram simplesmente concessões -, contando com o comando de caça aos comunistas, acobertado por agentes de segurança pública que carregam todos os elementos para serem investigados com base na “Teoria do Domínio do Fato” - criada por Claus Roxin, para julgar crimes praticados em estados de exceção e não em democracias -, mas para isso, seriam necessários ministros no Supremo Tribunal Federal, que de fato zelassem pela Constituição e não por interesses dos Estados Unidos e da oligarquia brasileira, usando a teoria de Roxin, para cassar adversários políticos e chancelar o golpe de estado.

O quadro na área da divisão do produto do roubo indica a velocidade das pilhagens: depois de desmontar a economia da Argentina, com a chancela do vendilhão Maurício Macri, os agentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), co-autores da máxima: “pedaladas fiscais”, usada para cassar a Presidenta Dilma Rousseff, voltam a conspirar com gás no quintal do Brasil, agora falando em “um grande risco”.

Esbanjando óleo de peroba, o economista-chefe do FMI, para o Hemisfério Ocidental, Alejandro Werner, mandou recado também em tom de ameaça para a equipe econômica do golpista Michel Temer e todos os seus aliados: “A reforma da Previdência, que foi adiada devido a desdobramentos políticos, é a chave para assegurar tanto a viabilidade do sistema de pensões como a sustentabilidade de finanças públicas”.

Traduzindo as entrelinhas golpistas: se a Previdência Social não passar para o contrôle dos bancos estrangeiros, acabando com todas as esperanças dos trabalhadores prestes a se aposentar e ameaçando direitos dos já aposentados, beneficiando proprietários de corporações transnacionais, em detrimento do povo, os agentes imperialistas do FMI, vão intensificar as conspirações e chantagens junto aos representantes dos três poderes, visando intensificar a narrativa “anti-corrupção”.

Com ou sem as eleições, fraudadas, o golpe de Estado será aprofundado, até porque eleições sem a participação do preso político, Lula, servirá apenas para legitimar o golpe de Estado e empregar aqueles candidatos que dizem: “golpe de Estado, é página virada” e no fundo, pouco se importam com as conseqüências - a classe média empurrada para a pobreza e os pobres para o estágio da miséria extrema.

Se esse jogo não for virado o futuro da nação ficará cada vez mais incerto e em breve, o ex-ministro da Fazenda, aposentado do Banco de Boston, Henrique Meirelles, terá que viajar para Washington, não a contra gosto, em buscar de empréstimo junto ao FMI, assim como acaba de fazer o ministro da Fazenda do vendilhão argentino, Nicolás Dujovne.

Os colaboradores de uma das mais longas ditaduras da América Latina usam a falta dos tanques nas ruas hoje, na tentativa de convencer a "opinião pública" de que não houve golpe de Estado em 2016. A tática é banalizar, mas no tom ameaçador: "Manda quem pode, obedece quem tem juízo", as feridas abertas nas vidas de inocentes condenados à prisão, sem provas, como se os presídios brasileiros fossem diferentes dos porões da ditadura de 64.

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*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, jornalabi.blogspot.com arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.