14.5.18

A POSSIBILIDADE DE LULA SER ELEITO PRESIDENTE VEM LEVANDO ARTICULISTAS DE PLANTÃO AO DESESPERO

ANDRÉ MOREAU -


Nesses tempos de miséria humana retratada em distorções calculadas nos meios de comunicação do consórcio que vem operando a mudança do sistema de governo, os adversários políticos são tratados com malícia, até a decretação na “justiça” das suas respectivas condenações, mesmo que, sem provas.

Os juízes que se prestam a manipular leis visando condenar inocentes, poderiam ser comparados a mercenários que com suas canetas fazem o que foi feito em outras ditaduras por agentes da segurança pública ou por militares?

Já os jornalistas ou “informantes não oficiais” como são denominados por agentes da Central de Inteligência Americana (CIA), aqueles que servem aos planos de expansão das “operações nos territórios invadidos”, a citada denominação parece ser a melhor.

A articulista Míriam Leitão, assinou com Marcelo Loureiro em O Globo (12), artigo intitulado “Os dois mitos de Geisel”, no qual eles falam do documento desclassificado da CIA, trazido a público pelo professor Matias Spektor, com um grau de malicia que chama a atenção até mesmo dos menos experientes colegas.

Partindo do que eles consideram “(...) duas ilusões sobre o general Ernesto Geisel”, a primeira relacionada a administração da economia e a segunda questionando o fato de que “(...) ele teria sido surpreendido por mortes que aconteceram até dentro dos quartéis do Exército durante o seu governo como a de Vladimir Herzog, e que reagiu a elas demitindo generais (...)”, o texto conclui de forma simplória, não por acaso, que o conteúdo do citado documento “(...) joga uma pá de cal sobre o mito de que Geisel foi diferente de outros presidentes da ditadura”.

Mas o que carrega nas entrelinhas, é a tentativa de induzir o leitor para a idéia de que sem militares no front, não há golpe de estado.

Os articulistas não falam sobre o consórcio de rádios e jornais capitaneados pelos Marinho, sem o qual seria impossível derrubar o então Presidente João Goulart.

Cumpre lembrar que Irineu Marinho foi o mestre das satanizações de líderes progressistas e comunistas que zelavam pela soberania nacional (1962-1964), atuando no O Globo e no comando do Departamento de Propaganda e Cinema (DPC), do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPÊS), fato que nem de longe pode ser lembrado nos editoriais das Organizações Globo.

Irineu Marinho comandou o DPC do IPÊS desde 1962 até a transferência dos documentos e das metas em 1971, para a Fundação Getúlio Vargas e o Sindicato dos Editores de Livros, quando os seqüestros, prisões, torturas e desaparecimentos se multiplicaram.

É claro que o grau de pressão do golpe de Estado de 2016 acirrado a partir da narrativa de 2013 - diante da insatisfação com o aumento do preço da passagem dos transportes coletivos -, é incomparável ao deflagrado em 1962 pelo IPÊS nos cinemas e praças públicas, apoiado pelo consórcio dos meios de comunicação capitaneados por O Globo, a começar pela inexistência da tecnologia informática.

A manipulação naquela época foi feita principalmente através dos curtas-metragens produzidos por Jean Manzon, sob encomenda de Irineu Marinho, visando gerar o ódio necessário entre a classe média e os agentes da repressão que no dia 1º de abril de 1964, prenderam centenas de pessoas que se opuseram ao golpe empresarial/militar, no Estádio Caio Martins, em Niterói, por falta de espaço nas delegacias e presídios do Estado do Rio de Janeiro.

Míriam Leitão sabe que a onda de terror que atravessa as ditaduras começa com as satanizações e que o golpe de estado de 2016 foi deflagrado a partir de 2013 com o acirramento da narrativa de ódio contra a Presidenta Dilma Rousseff, no Jornal Nacional (JN).

Todos que vivenciaram a ditadura empresarial/militar sabem como os golpes de Estado começam, mas não sabem quando os seqüestros, prisões, torturas, assassinatos e desaparecimentos daqueles que se colocam contra o regime, vai ser aprofundado.

Por isso quando Leitão/Loureiro falam que “A esquerda acaba de repetir, no poder, alguns desses erros, como as doações de recursos públicos para empresas, supondo que eles liderariam o desenvolvimento nacional (...)” comparando de forma nervosa que “Foi assim nos governos Médice e Geisel, foi assim nos governos Lula e Dilma (...)”, eles revelam medo. Jogam pedras na imagem da Presidenta Dilma Rousseff e do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por medo. Medo da possibilidade de que Lula concorra nas eleições de 7 de outubro e eleito crie as condições para votar uma nova constituinte que regule os veículos de radiodifusão de massas.

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*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, jornalabi.blogspot.com arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.