10.5.18

A REALIDADE SUPERA A FICÇÃO REVELANDO OS ESTRAGOS CAUSADOS POR ALIENADOS

ANDRÉ MOREAU -


O médium que prefere ficar incógnito, disse que o grande escritor Machado de Assis anda descontente, vagando pelos corredores da Academia Brasileira de Letras (ABL), enquanto reflete sobre o que fazer com a adaptação não autorizada de seu conto “O Alienista”, já que ao criarem o Tribunal da Inquisição interpretado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), procuradores e juízes de piso, os irresponsáveis colocaram em risco a estrutura original de sua obra.

Machado reclama, por exemplo, que ao negarem por unanimidade o pedido de libertação do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (10), os togados da 2ª Turma do STF, diminuíram o conflito gerado na “Casa Verde” de Itaguaí, já que o choque gerado pela decisão desestabiliza o ordenamento jurídico, é muito maior - afetando o fundamento precípuo dos ministros do STF, de serem os guardiões da Carta Magna, o que diminui a trama original de sua obra.

O imortal da ABL também pretende fundamentar o processo, usando como elemento probatório, a prisão de Lula - com base nas convicções do juiz de piso, a partir de provas forjadas sobre a reforma do tripléx. E o pior, citando que o encarceramento ocorreu antes de esgotarem os recursos da defesa em 2ª grau, o que contraria alterações de cláusulas pétreas da Constituição, feitas no próprio STF, arbitrariedades que também diminuem a força do conto. 

“Quem esses togados acham que são, ao lavarem as mãos enquanto Lula está no tronco? Eles deveriam lavar suas togas antes de usurparem um texto meu...”, questionou Machado de Assis, ao se reportar a essa fase do golpe de estado, que segundo ele, implanta o Poder Legislativo no STF e reduz o Congresso Nacional ao estado de cenário da terra arrasada onde os parlamentares se assanham como vira-latas aguardando as ordens e as migalhas dos que operam a mudança do sistema de governo.

O imortal da ABL considera covarde a narrativa “anti-corrupção” e o “modus operandi” do “plenário virtual”, ou dos votos por e-mails, outra novidade desses tempos de aceleradas usurpações de direitos, a partir de mentiras repetidas, que ofende mais ainda “O Alienista”.

Machado de Assis pretende cobrar, mas não sabe em qual fórum, que os responsáveis pela adaptação não autorizada de sua obra, pelo menos mantenham íntegra a ideia contida no final da peça literária, ou seja, que os togados tenham a hombridade que teve a personagem Dr. Simão Bacamarte, quando soltou, absolveu todos os internos dos crimes não cometidos e se internou na “Casa Verde”, em busca da sua cura.

“(...) Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo (...)”.

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*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, jornalabi.blogspot.com arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.