9.5.18

“LULA É O NEGRO DO BRASIL”

ANDRÉ MOREAU -


O papel dos que vêem injustiças sociais e tem voz, é o de mobilizar o maior número de pessoas para a boa luta pela solidariedade que liga todos os homens.

E é justamente isso que o texto singular, “Lula é o negro do Brasil”, do jovem Antropólogo e Músico João de Athayde, faz em prosa e verso, questionando de onde é oriunda a justiça brasileira: madrasta de desprotegidos e violada freqüentemente em nome do capital - a maior desgraça da humanidade.

O texto é aberto no pelourinho com rituais de tortura, que calam o povo e servem de cortina de fumaça, para esconder outras brutalidades da escravidão. É encerrada propondo restaurar com ação, o elo de amor entre os homens.

O povo que engole a língua, num misto de medo e terror, enquanto assiste as feridas serem abertas nas costas de “Lula é o negro do Brail”, que representa os excluídos da nação brasileira, é chamado a se posicionar no circo, sem o pão.

O autor João Athayde resolveu elaborar esta reflexão, interpretada de forma brilhante por ele mesmo no site Duplo Expresso (DE), duploexpresso.com, depois de ler o Artigo do angolano Paulo Gamba, sobre o exército de Amazonas do reino de Abomé (no Daomé antigo, atual Benim), que trata da participação daquelas combatentes mulheres na guerra contra os invasores Franceses no final do século XX, publicado no DE em 01/04/18.

Posteriormente o texto de Athayde foi reproduzido na grande rede pelo Ator e Historiador, Ulisses Iarochinski.

LULA É O NEGRO DO BRASIL


O texto transcende séculos de retrocesso, para mostrar que o atual “(...) espetáculo de sofrimento do rebelde castigado (...)”, é o mesmo do Brasil colônia.

Revela a perversidade moral - a patologia dos novos agentes colonizadores -, que induz seres da sociedade a se trancarem dentro de si, enquanto o irmão é castigado no pelourinho, por ter amado de forma rebelde o seu povo. 
“Lula é o negro do Brasil”, de João de Athayde, preso no pelourinho, diante do Tribunal da Inquisição de Curitiba.

LULA É O NEGRO DO BRASIL


Quem ousa afrontar o sistema opressor?

O que a “grande mídia” oculta, Athayde revela em prosa e versos. “Lula é o negro do Brasil” - Lula é o escravo da oligarquia que deu o golpe de estado promovido a partir de ações inconstitucionais do judiciário e do parlamento, das mentiras repetidas nos meios de comunicação, visando segregar o líder popular na masmorra de Curitiba.

O texto fala das injustiças sociais da ditadura do judiciário, imposta desde a escravidão até hoje e nos faz lembrar da força de gigantes diante de longos períodos de arbítrios, como os amigos Darcy Ribeiro e João Luiz Duboc Pinaud, dentre tantos outros, que lutaram a boa luta, visando libertar nossa gente do sofrimento da prisão, principalmente da mente, que encarcera o ser dentro de si mesmo, para matar a esperança na humanidade.

O texto certamente dará gás aos companheiros que lutam na “Vigília Lula Livre”, alertando mais gente à relação do aparelho judiciário de Estado com a burguesia, que desde a escravidão até hoje, mantém o povo na servidão.

A prisão de Lula representa o afrontamento à compaixão, palavra vulgarizada, mas que no seu significado quer dizer sentir a dor do outro - com “pathos”- ou seja, a tentativa de romper a compaixão.

A prisão de Lula é a minha prisão enquanto ser humano.

Por isso propõe Athayde, não podemos admitir a banalização da prisão de Lula, porque se isso ocorrer, ela se transformará na mordaça que vai calar, nas correntes que imobilizarão pulsos e pés de todos que ainda tem voz.
“Lula é o negro do Brasil”

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*João de Athayde é antropólogo, carioca residente na França (Aix en Provence). Ligado ao IMAF (Institut des Mondes Africains/ Instituto dos Mundos Africanos). Universidade de Aix-Marselha, França. Realiza doutorado sobre as heranças culturais ligadas ao tráfico de escravos no contexto do Atlântico Negro, em especial sobre identidade, religião e festa popular entre os Agudàs, descendentes dos escravos retornados do Brasil ao Benim e Togo, numa perspectiva comparativa entre a África e o Nordeste Brasileiro.
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*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, jornalabi.blogspot.com arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.