2.5.18

"NÓS TEMOS QUE VIRAR FUMAÇA E SAIR EVAPORANDO"

ANDRÉ MOREAU -

"Nós temos que virar fumaça e sair evaporando". Gerivaldo Bueno Araújo, sobrevivente do edifício da Avenida Rio Branco, entrevistado por Katia Passos do Jornalistas Livres.


A tragédia no edifício da Avenida Rio Branco, no Largo do Paissandu, Centro de São Paulo, revela o nível da guerra de classes em que o país foi mergulhado pela ditadura do judiciário e pelo consórcio dos meios de comunicação conservadores que acirram a narrativa de ódio a partir de 2013 incitando os alienados até derrubar a Presidenta Dilma Rousseff. Além de carregar elementos que chamam a atenção para a onda de crimes que tem se multiplicado no campo e nas cidades, já que a ocupação do edifício nunca foi do agrado dos vizinhos de classe média, que apoiam a especulação mobiliária, pelos mesmos motivos que apoiaram o golpe de estado.

O incêndio foi usado na tentativa de desviar o foco das manifestações do Dia Internacional do Trabalhador, realizadas por cidadãos brasileiros e estrangeiros que foram em massa para as ruas revelar insatisfação com os retrocessos sociais que empurraram a nação brasileira setenta e cinco anos para trás com o desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e quarenta anos com a prisão do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa mesma classe média que parece pouco se importar com o problema da falta de habitação ou o que significam questões agrárias que se arrastam na justiça, em detrimento dos trabalhadores mais pobres, parece que só acordará quando for tragada pelo sistema que vem corroendo as entranhas da soberania nacional em nome da narrativa de "austeridade" e "anti-corrupção".

O depoimento de Gerivaldo Bueno Araújo, um dos sobreviventes dessa tragédia anunciada, que foi porteiro do prédio consumido pelo fogo até ir ao chão - cerca de 2 horas depois -, é revelador. Araújo conta que o incêndio se deflagrou com rapidez incomum por todo o quinto andar, deixando os moradores do sexto, sétimo, nono e décimo andares isolados, impedidos de fugir das chamas.

Araújo não acredita na possibilidade de acidente, argumento repetido exaustivamente pelos meios de comunicação conservadores, com base na versão oficial. Ele lembra da perseguição do "Reverendo Americano", da igreja vizinha, que por diversas vezes ameaçou que faria um abaixo assinado para tirar todos de lá, já que a presença dos moradores pobres não agradava quase ninguém da região.

Ao contrário do plano dos golpistas, a disposição do cidadão Gerivaldo Bueno Araújo, indica que os choques gerados por ações criminosas promovidas pela ditadura dos meios de comunicação não calarão a voz do povo.

Vale a pena assistir o filme produzido pela repórter Katia Passos - Jornalistas Livres.

Morador do prédio que desabou fala aos Jornalistas Livres


*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.