11.5.18

VEREADOR FLAGRA E INTERROMPE ABORDAGEM DESUMANA CONTRA MORADORES DE RUA

ROGER MCNAUGHT -

O parlamentar municipal Leonel Brizola (PSOL-RJ) dialogando com agentes do poder público e a guarda pretoriana do nosso alcaide, sobrinho do bispo.
Centro do Rio de Janeiro, sexta-feira de manhã. Um dia normal para o carioca que transita pelo centro do Rio de Janeiro se não fosse pelas cenas lamentáveis proporcionadas por agentes do poder público municipal na remoção desumana de pessoas em situação de rua na Av. Rio Branco.

Aproximadamente às 10 horas da manhã desta sexta-feira (11), o vereador Leonel Brizola (PSOL-RJ) caminhava pela Av. Rio Branco a caminho de um compromisso quando percebeu uma movimentação estranha. Ao se aproximar, deparou-se com agentes do poder público municipal acompanhados de agentes de segurança pública agindo de forma intimidadora e ameaçadora contra pessoas em situação de rua enquanto seus pertences eram recolhidos – e alguns destruídos – pela equipe de limpeza que acompanhava a ação.

Imediatamente o vereador indagou aos agentes a razão da ação, e um deles – não reconhecendo o vereador – tentou intimidá-lo também, o que não funcionou. Ao perceberem a presença do parlamentar, outros agentes chamaram o responsável pela ação que tentou se explicar e proteger os agentes públicos sem sucesso.

Durante todo o tempo, para lidar com pouco mais de 3 pessoas pobres em situação de rua, foi movimentado um enorme aparato de segurança constituído por agentes do centro presente, guardas municipais e agentes da prefeitura – alguns inclusive filmando a ação e as pessoas em situação de rua a todo momento. Com a chegada do responsável da ação e a consequente “reunião” com o vereador, os agentes de segurança imediatamente iniciaram a filmar a “reunião” informal, numa clara tentativa de criminalizar a intervenção do vereador que apenas exigiu – como cidadão e como ser humano – um tratamento digno e respeitoso para com pessoas que já se encontram em situação de vulnerabilidade social.


O mais impressionante de tudo isso é o custo de uma operação desse porte. Não apenas custo financeiro, mas o custo em material humano para importunar pessoas já massacradas pelo crescente desemprego que assola o Rio de Janeiro. Vans, equipes da Guarda Municipal, equipamentos de filmagem, agentes do centro presente, agentes de limpeza urbana e agentes administrativos. Todo esse aparato movimenta um custo operacional que seria muito mais bem gasto em programas de reinserção, de moradia digna, cursos profissionalizantes e um programa de assistência social realmente voltado a preservar a vida e a dignidade daqueles que foram vitimados pela má gestão de políticos insensíveis às necessidades populares.

Enquanto o poder público tentar “esconder debaixo do tapete” a tragédia social e a calamidade impostas à população mais pobre dessa forma, haverá denúncia, contestação e atitude política verdadeiramente popular para contestar as ações de quem não se compromete para com os mais necessitados.

Vereador Leonel Brizola, estamos com você!