11.6.18

MARCHA DA MACONHA NAS FAVELAS: PROPOSTA DEMANDA REFORMULAÇÃO PARA ATINGIR OBJETIVOS

ANA CLARA SALLES -


Neste sábado, dia 9 de junho, a Marcha das Favelas pela Legalização da Maconha aconteceu na comunidade de Manguinhos, perto do bairro Maria da Graça e da Cidade da Polícia. A pauta principal da marcha é a legalização e regularização da cannabis em um contexto brasileiro, que é muito diferente de um contexto de países que já passaram por esse processo.

A guerra às drogas no Brasil se tornou um sistema de genocídio da população pobre e dos grupos marginalizados e privados de direitos humanos básicos. O traficante da “boca de fumo” é na realidade um varejista que recebe a droga, em muitos casos, de agentes do Estado, e esta mesma autoridade “combate” o tráfico matando a população e os varejistas dá área, e além das drogas, o acesso ao armamento que não chega no tráfico de paraquedas do céu. No contexto carioca morrem jovens pretos e pobres todos os dias por causa do tráfico nas comunidades. O estado oprime e financia esse sistema, oprimir leia-se matar a população com armamento militar, por métodos e pensamentos fascistas que estão incluídos nas ações da Polícia Militar e Exército, que atualmente se encontra em processo de intervenção no Rio de Janeiro com a desculpa de uma solução para segurança pública, o que na realidade se resume em ir a regiões mais pobres da cidade, matar e controlar essa população (contenção social).

Os ditos traficantes também são um poder não oficial que controla as regiões em que se estabelece, e cometem ações violentas tanto quanto o Estado, já que se encontram a maioria das vezes num estado de “guerra” quase constante, e se dividem em facções que competem pelo mercado ilegal de drogas. Também vale comentar que os agentes da PM e do Exército são compostos por uma parcela muito grande de indivíduos que vem dessas mesmas comunidades. Esse sistema é tão desumano que é pobre matando pobre, pobre de direitos e condição de vida.

Todas essas conexões são muitas vezes deturpadas pela mídia, que resumem à situação a uma resolução falha, simples e imediatista, que é a proibição e opressão. Seres humanos em todo curso da história usaram drogas e entorpecentes, e as drogas são de fato legalizadas, só que em formato de pílula que vem da indústria farmacêutica. A maconha tem muitos fins medicinais para várias doenças crônicas, como doenças neurológicas e/ou degenerativas, além de tratamentos psicológicos. O álcool que é uma droga recreativa legalizada mata muito mais seres humanos do que o consumo recreativo da maconha. A maconha atualmente mata por causa do tráfico.  Além de outras drogas que o consumo é marginalizado, essa questão da legalização se encontra numa esfera de saúde pública. Se a questão fosse tratada dessa forma no Brasil, o usuário teria suporte e uma forma consciente de usar. As pessoas comprando drogas do mercado ilegal não sabem a procedência da matéria prima, como vêm, quais substancias realmente tem ali, além da grande desinformação quanto à dosagem. Toda essa realidade mostra quantas falhas e absurdos essa situação carrega.


ROTEIRO DA MARCHA

A marcha das favelas iniciou com confecção de cartazes e discursos feitos pelos organizadores da manifestação, que incluíam independentes e pessoas da região. Houve também a banda do bloco Planta na Mente, que tocou durante o percurso inteiro. A questão do percurso é uma problemática que deve ser posta em questionamento. A concentração ocorreu no Campo do Society, em Manguinhos, dentro da favela, e contornou grande parte da cidade da polícia, sendo acompanhada pela Polícia Militar de forma discreta enquanto policiais fotografavam a marcha, incluindo fotos dos rostos das pessoas e principalmente moradores que compareceram.

Depois a marcha seguiu numa constante tentativa de entrar em outras comunidades da região, atrapalhando muitas vezes a dinâmica de trabalho das localidades, como o trânsito de moto táxis por exemplo, mas o pior foi o fato sinistro da Polícia esperar as câmeras, os advogados, e os manifestantes saírem das localidades para em seguida oprimirem a população da comunidade. Uma boa solução seria fazer a manifestação em vias expressas e avenidas principais, que não especificassem a comunidade, gerando uma ‘Marcha de Todas as Favelas’, assim não trará esse tipo de problema para a população das, e a mensagem seria mais clara pela legalização.