10.7.18

A CARA DO DIABO!

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Quando o Papa Francisco advertiu os cristãos de que o diabo existe tomei o conceito de diabo no sentido metafórico, ou seja, relacionado com o mal em geral e a perversidade de homens contra homens. Acontece que o diabo existe, e tem cara no mundo concreto. Hoje em dia ele usa principalmente os grandes meios de comunicação como seu porta-voz, exercendo terríveis tentações sobre os humanos no sentido de se escravizarem uns aos outros.

A técnica principal do diabo é o diversionismo: enquanto as questões fundamentais da sociedade, vividas no plano social, econômico e político são tratadas pelas classes dominantes e pelas elites políticas a serviço delas como meios de se locupletarem de dinheiro fácil e de acumularem riquezas, as classe dominadas vão se divertir no circo – seja o circo do futebol, seja o circo da televisão, seja o circo da própria política manipulada.

Não que toda a diversão seja do diabo. Ela é também de deus. O que é do diabo é o uso da diversão como instrumento de manipulação da sociedade através de conceitos vagos como os evocados pela Tevê Globo nas suas chamadas sobre o Brasil do futuro. Claro que todo mundo quer um Brasil melhor, cada um em seu próprio território. Entretanto, outra história é juntar os depoimentos de forma oportunista e colocar na boca do povo acusações gerais.

A Copa, nesse sentido, exibiu claramente a cara do diabo. Milhões de pessoas se juntaram em torno da tevê para ver futebol ignorando rigorosamente tudo que se desenvolvia como golpe continuado na esfera do Planalto. Lá se vendia o pré-sal, com a aprovação de uma Câmara vendida. Là se definiu a venda da Embraer, a jóia de nossa tecnologia, aos norte-americanos. Lá se estabeleceu a entrega de Alcântara aos mesmos fregueses.

Seguiu-se o diabo da Tailândia, o drama dos meninos na caverna. Não tem nada a ver com nossos problemas reais. O interesse que desperta é produzido exclusivamente pela tevê. É um problema real, mas a dimensão que toma é cinematográfica. Em comparação com outros dramas familiares brasileiros e mundiais passaria despercebido.São 12 meninos, todos salvos, com o sacrifício de um mergulhador. Quantos morrem diariamente em nossas estradas não cuidadas pelos governos?

O maior diabo de todos é a controvérsia midiática em torno da libertação de Lula. Não passava de uma querela jurídica suscitada por advogados incompetentes. Foi transformado numa questão nacional que absorveu todas as atenções do país, não obstante a absoluta ignorância da população em torno do juridiquês usado pelos repórteres, assim como a certeza dos poucos que entendem de golpe de estado em relação à manutenção da prisão.

Poderia falar de outros diabos, como os espetaculares geoglifos da Amazônia, um diabo bom. Entretanto o governo Temer só produziu diabos malévolos, não uma única obra ou programa do bem, contando sempre com a indiferença da sociedade. Sob a sua sombra fez-se uma passeata de gays de 2 milhões de pessoas em São Paulo, quase todos voltados para suas questões pessoais, com menções políticas por parte apenas de um ou outro manifestante. Pior são as grandes manifestações de evangélicos manipulados por pastores eletrônicos: não passam de campanhas eleitorais sob ampla hipocrisia religiosa.

Portanto, o diabo existe. É a grande perversidade que nos cerca. Ou nos livramos desse diabo, ou seremos condenados indefinidamente à manipulação política, ao jogo sórdido de uma Justiça partidarizada, à escravização da economia. Naturalmente, esse é um diabo que não pode ser vencido só pela oração. Segundo o Baghavad Gita, o livro sagrado dos hindus, para vencer o diabo é preço conhecimento, devoção e ação. Mas o meio principal é a ação. É sobretudo a ação política que pode varrer do poder as malditas ações de Temer.