18.7.18

BITCOIN E A INFÂMIA NA INDÚSTRIA DO DINHEIRO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Meses atrás, convencido de que bitcoin não passava de uma parafernália tecnológica destinada ao mercado da droga e ao mercado de sonegação de impostos, pedi ao professor Daniel Conceição, doutorado em macroeconomia pela Universidade de Kansas City, a fazer um artigo a respeito. O artigo foi publicado e está exposto no site frentepelasoberania.com.br. Confirmou, de forma inequívoca, que as tais moedas virtuais não passam daquilo que antigamente se chamava correntes, ou pirâmides. Um “empreendimento” que levou à cadeia, no começo do século XX, um picareta chamado Ponzi, que deu nome ao roubo.

Agora estou diante da espantosa notícia de que uma ação das múltiplas do tipo bitcoin teve valorização anual de 1.300%, enquanto outra prometia 1.700%. As pessoas não estão se dando conta de que isso é um crime contra a humanidade. Alguém certamente pagará a conta desse despropósito, visto que moedas virtuais em qualquer momento pode se transformar em moedas reais, afetando profundamente o mercado financeiro com perdas e ganhos desproporcionais. Perguntei a outro amigo, engenheiro, Germano Johansson, se era possível controlar esse mercado. Não, disse ele. Está protegido por tecnologias sofisticadíssimas.

Germano está enganado. Nas nações soberanas da Idade Moderna, o Estado tem poder social quase infinito. A coisa mais simples a fazer é copiar a China: lá só há bitcoins onde o Governo permite. Aliás, todo o mercado financeiro chinês é regulado por agências governamentais. Ai do vigarista que tentar fazer operações financeiras com repercussão na China sem autorização do Estado. Alguma bitcoin entra na China na forma de experimento financeiro. Mas lá não aconteceria nunca o que começou a acontecer no Brasil e no mundo ocidental: uma derrocada de bolsas por vários fatores, estimulada pela queda das moedas virtuais.

Considero as moedas virtuais que se multiplicaram a partir da bitcoin um crime contra a humanidade. É uma moeda de infâmia. São uma espécie de holocausto contemporâneo a partir do estrangulamento financeiro de povos inteiros, como no caso da Grécia e de outros países endividados da África e da América do Sul, escravizados pelos bancos. Não por outra razão o sistema financeiro ultra-especulativo ocidental vem sendo condenado tão veemente pelo Papa Francisco, que se refere a ele como o domínio absoluto de Mamon, o deus dinheiro – trazido várias vezes para a tribuna do Senado pelo senador Roberto Requião.

A febre das bitcoins não é nenhuma novidade. Nasceu com o capitalismo. A aspiração básica do capital é fazer mais dinheiro a partir de dinheiro, de forma instantânea, sem passar pelo trabalhoso e arriscado processo produtivo, lento no tempo. A fórmula, em Marx, é D (dinheiro) que se transforma em D´ (mais dinheiro), em curtíssimo prazo, como no open à brasileira e como no mercado de empréstimos. Os bancos ocidentais, diferentemente dos islâmicos, muito mais justos, cobram juros sobre juros, sob a complacência do Estado. Já o banco islâmico, de forma justa, participa como sócio com uma porcentagem do empréstimo que financia.

O Brasil um dia terá um governo decente que se preocupará com o povo e não com reverências ao mercado financeiro. Repelirá a globalização neoliberal. Recorrerá aos recursos tecnológicos mais avançados do mundo para estabelecer impostos sobre os ganhos em ações e, notadamente, os ganhos absurdos com bitcoins. As pessoas podem pensar que isso não os afeta. Entretanto, quando um aplicador em bitcoin realiza sua aplicação na moeda de um país, está pressionando seu mercado de câmbio. Alguém ficará mais pobre ou mais rico. E quem ficar mais rico, além de poder enriquecer traficantes de droga, não pagará imposto por isso.