7.7.18

CONVOCAÇÃO A UM NOVO PACTO NACIONAL E SOCIAL

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Houve um tempo em que era conhecido entre amigos de profissão como o “economista do pleno emprego”. Nos estertores do Governo Sarney, quando a credibilidade do Presidente chegou a níveis quase tão baixos como os atuais, de Michel Temer, lancei junto com Albano Franco e Raphael de Almeida Magalhães a ideia de um grande Pacto Social em torno de políticas  para reduzir drasticamente o desemprego no país.

Não por culpa de Sarney, que apoiou integralmente a ideia, mas devido à pusilanimidade de alguns empresários paulistas e de seus assessores, avessos à ideia do Pacto e alinhados ao então ministro da Fazenda na especulação financeira, Maílson da Nóbrega - cuja prioridade era pagar a todo o custo a dívida externa, em condições originais -, a iniciativa não seguiu adiante e morreu já quando estava pronta para funcionar.



Veio a eleição e a inflação de Maílson tinha disparado para 80% ao mês. Então apareceu um jovem alagoano, com uma equipe igualmente jovem, que vendeu a ideia de que iria acabar com a inflação com um só tiro. Quase não falou em emprego. O tiro foi a retenção de dinheiro corrente e de poupança de todos que tinham recursos em trânsito no sistema bancário, numa época na qual, por culpa da inflação, só pobres e desempregados não tinham dinheiro protegido contra a alta de preços.


Com o fracasso do Plano Collor, no início do primeiro mandato de Lula criei um site, “Desemprego Zero”, para difundir ideias minhas e de companheiros com a mesma obsessão de lutar pela redução drástica do desemprego e da inflação no Brasil. Não foi necessário um Plano Lula.
As condições externas, determinadas sobretudo pelas importações de commodities brasileiras pela China, permitiu ao novo Presidente uma política de conciliação de interesses de pobres e ricos. O desemprego se reduziria drasticamente. Fechei o site.

No segundo mandato as coisas no Brasil pioraram, embora não muito. Uma política de ajuste fiscal absurda, acompanhando os europeus do euro sob o taxacão da Alemanha, do FMI, da Comissão Europeia e do BCE, derrubou o crescimento vigoroso da economia em 2010 (7,5%) e passamos a uma fase de decrescimento, sob o comando de Guido Mantega. Em 2012 e, novamente, em 2016 as coisas no Brasil pioraram ainda mais, já que não tínhamos o colchão das fortes vendas de commodities.


Dilma não chegou a governar desde o primeiro mandato. Não sofreu impeachment por isso, naturalmente. E o jogo com Aécio Neves teria sido ainda muito pior, pois sua assessoria econômica, chefiada por Armínio Fraga, formado na escola de especulação financeira de George Soros, o maior especulador do mundo, teria antecipado para 2013 o choque fiscal estúpido imposto por Joaquim Levy no começo do segundo mandato. A história econômica e política daí em diante é bem conhecida.



Perdi totalmente o respeito pelos presidentes brasileiros após abertura. A razão é que todos eles são absolutamente amadores em economia política. Não estou advogando em causa própria porque sou economista político – não, naturalmente, economista de mercado. Acontece que, na complexidade monetária, financeira e tecnológica do mundo moderno, um presidente que não saiba nada de economia política cai facilmente nas garras de seus ministros, o que pode resultar em tragédias, como aconteceu no Brasil.

Collor caiu nas mãos de Zélia, uma neófita em economia política; Lula, nas mãos de Meirelles e Palocci, ambos economistas de planilha financeira (como diria Luís Nassif); Dilma entregou a alma a Joaquim Levy, que destruiu seu Governo. Daí em diante, até hoje, os presidentes que nada sabem de economia política estão vendidos a seus ministros, principalmente da Fazenda, com Meirelles coroando o processo. Diante dessa fatalidade histórica, seria importante que os candidatos a Presidente da República, já nesta eleição, apresentassem os nomes e os compromissos de sua equipe econômica, notadamente em relação a emprego e crescimento da economia. Ao povo, como diria Brizola, caberia decidir.